segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Laguna

Eu fui visitar minha antiga cidade. Escolhi aproveitar alguns dias de férias. Na adolescência eu adorava andar por lá. Me sentia livre, forte... Era eu mesma quando estava lá. E só lá.

Ultimamente eu me sinto encontrada comigo muitas vezes. Então pensei que ia estar nas nuvens revisitando esse lugar mágico do meu passado.

Bem eu me encontrei com muitas partes minhas, mas nenhuma das que eu esperava. Primeiro eu lembrei de tantas pessoas que me formaram. Minha mãe, minha vó, meu vô, meus melhores amigos...

Mas tive que encarar a passagem do tempo. Aquela cidade não é mais como eu lembrava. As coisas que eu lembrava não existem mais. As ruas mudaram... Eu já não tenho mais intimidade com os caminhos. Quantos anos... As coisas mudaram...

Mas aí, depois de algum tempo sentindo um incomodo no peito, percebi que a cidade não mudou. Não tanto assim. Ela me parece muito menor, muito menos glamourosa, mas na verdade ela é assim. Sempre foi. O brilho era do sentimento de refúgio. Mas eu não preciso mais de refúgio. 

Eu estou deslocada de lá. A muito tempo me sinto em casa na minha casa. Tudo aqui é mais bonito. O sol, o mar, o vento... O que eu achei que tinha ido procurar lá, estava comigo. Ainda assim, encontrei com partes minhas. Hoje posso me dar ao luxo de me entristecer com o que mudou, com as perdas... Mas também encarar quantas cidades eu precisei pintar de paraíso para ter um momento de paz.

Um brinde aos encontros e desencontros das nossas várias versões.

domingo, 4 de abril de 2021

A religião e o incomodo da páscoa

Por quê a religião me incomoda?

Fui criada uma família totalmente católica, de todos os lados. Sou uma pessoa com muita fé e valores éticos fortes. Eu tenho todo o contexto para ser uma boa cristã.

Exceto por não ser cristã.

O engraçado é que algumas das pessoas que eu mais adoro são religiosas. E nossos valores estão alinhado sobre o mundo. Só não estão sobre usar a religião como a justificativa desses valores.

Não verdade não é um não concordar. É uma indignação. Eu não gosto da ideia de alguém fazer algo porque a religião determina. Não gosto de sistema de regras nem de valores externos.

Cada ser humano deveria se guiar pelo que faz sentido para si mesmo. Eu sou uma boa pessoa porque essa é a forma que eu quero estar no mundo. Não tem nenhuma regra ou ganho posterior. O que eu ganho é sentir que estou sendo coerente comigo.

Parte da minha ogeriza a ser guiada por um sistema externo, vem das incongruências de quem é parte do sistema. Como qualquer sistema de poder, tem aqueles que estão ali de aparência, apenas para tirar proveito dos demais. Isso por si já me faz desconfiar de qualquer religião.

Mais diretamente já vi de perto muita gente cristã que só acredita quando é conveniente. Ou para punir o outro... 

Mas, excluindo essa parte e pensando na religião acima dos homens que a aplicam (afinal os homens são a expressão do pecado, demasiadamente humanos), a ideia desse sistema pre determinado de regras me dá alergia.

Só a liberdade total gera seres humanos potentes e capazes de dar conta da vida. Cada um de nós precisa encarar que é dono das suas decisões e a felicidade ou infelicidade é consequência de como se leva a vida. Não existe uma jornada do herói em direção ao céu. Não existe o Bem e o Mal por si. Existe você, o mundo (que nem você e nem deus controlam) e o que você faz a partir disso. Sem cartilha. Só banque as suas escolhas.


domingo, 28 de março de 2021

A fragilidade de domingo meio-dia

 Eu me acostumei com a solidão. Seja pela pandemia ou pela vida, me acostumei. Curto vários momentos meus comigo. É bom não se explicar, não dividir, ser somente minha.

Confesso que tenho criado distâncias onde não precisaria, para além das imposições que a vida consciente em 2021 exige. É porque não aprendi a equilibrar. Então acabo achando mais confortável ficar quieta. Só eu.

Mas tem um momento que sempre me pega. É cozinhar almoço no fim de semana. Não sei nem explicar direito o porquê, mas nessa hora eu me sinto solitária de verdade. Começo a cozinhar e sinto que nada mais faz sentido. Me pergunto o que to fazendo da minha vida. Os medos começam a aparecer. Não vou dar conta da vida, vou ficar sozinha para sempre, sou um fracasso, não tem sentido seguir em frente...

Demorei até a entender que de fato é esse momento que é um gatilho. Agora pensando bem sobre o assunto, as conversas mais frágeis que eu tenho são nesse momento (acabei de mandar uma mensagem baixando a guarda para alguém que para mim está encerrado o assunto).  

O que tem ali, nesse momento? Nunca cozinhei só para mim, sempre para um grupo. Almoço é momento familiar. Mas essa ainda não é a explicação. Ou pelo menos não a única.

É quando começo a cozinhar que eu penso em todas as coisas que ignorei durante a semana. Tudo aquilo que não tem como mudar. Que não tem como mexer. Que eu só fingi que não doeu, porque é a vida... E tudo dói, de uma única vez. Não tem música, novela, nenhuma distração que me tire do looping de medos, dúvidas e dor.

Hoje me derrubou literalmente no chão. 

O que eu faço com isso agora? Não sei. To tentando acolher...

Ainda sobre ficar frágil: quando digo que esse é meu momento de maior fragilidade, não significa que é ruim ou bom. Só é o que é. Ser frágil é parte de ser gente.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Sem tempo para a tua omissão

Essa semana eu escutei de uma pessoa que supostamente se importa comigo: "eu nem lembrei que tava te devendo esse papo."

Eu demorei, mas aprendi uma coisa na vida: quem se importa contigo não te deixa no vácuo, ou no escuro. Ninguém é responsável pelas expectativas do outro. A vida é encontro e desencontro. Isso aí faz parte do jogo. O que não faz parte é deixar o outro míope.

Se você se omite, se você deixa o outro achar que tá tudo bem, quando não tá, você é um mentiroso. Omitir e mentir são todas ações da mesma família.

E não vale dizer que era para não magoar, ou que você não achou um bom momento... A quem serve essa omissão? Porque deve ter uma vantagem em se omitir né? Esse ganho com certeza não é para quem ficou no escuro... Que pode se sentir trouxa, burro ou idiota por ter "entendido tudo errado".

O tempo só tem me ensinado a confiar cada vez mais na minha desconfiança. Porque você pode falar que não sabe o que tá sentindo, pode falar que tem algo errado... Só não vale sorrir e acenar sem se colocar. 

A vida é curta demais para a gente não se colocar, não se posicionar, não ser se verdade.  

(E se eu já fui trouxa um dia, nem querendo rola mais... Porque eu tentei engolir as desculpas, mas assim, a seco... Não rolou)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Eu já fui infeliz. Hoje enquanto eu fazia exercício e fica bêbada de endorfina, eu percebi o quanto. Quantas amarras, quantas mentiras para mim mesma... Quanta dor...

Não sei se hoje é um dia feliz daqueles que eu vou lembrar daqui há anos... Mas com certeza foi um dia bom. 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Aqueles casais tóxicos que amamos

Porque gostamos de acompanhar casais que não deveriam ficar juntos?

Estou falando de casais, da ficção, que são tóxicos. Aqueles que se fazem mal, que mentem, que são péssimos um para o outro. Outro dia vi que alguém dizendo que é porque esses casais tem química. Em parte é isso, mas em parte é a ilusão de que deveríamos trocar tudo por amor. 

Acho que gostamos de acreditar que quando se ama alguém, deve-se ficar junto. A qualquer custo. Apesar de tudo. Eu AMO casais gato e rato. Se forem gato e rato complicado, cheio de atração proibida, com os personagens cheios de complicações emocionais... ai eu shippo mesmo.

Mas é uma ilusão.

Primeiro que a maior parte desses casais não é amor. É paixão. Ter alguém que te faz mal, mas que o toque te enlouquece a ponto de você esquecer tudo... É só fogo. Pode ser lindo na ficção, mas na vida real é o que prepara o terreno para a gente confundir agressão com química. Amor com pele. E achar que (apesar de tudo o que se está sofrendo agora) a resolução mágica do final feliz tá logo ali.

Spoiler: não está.

Então bora rever esses conceitos?

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Aquela novela mexicana boa

Um término é uma morte. A morte de sonhos, planos... de uma vida. É também o parte (com a sua dor) de uma vida nova. Até porque todo parto é a morte de uma vida e o início de outra.

E toda morte tem um luto. Eu sei que o luto não terminou quando olho para o que eu escrevo. Cadê os poemas? Onde está os textos sobre as viagens da vida, sobre opiniões aleatórias de coisas ainda mais aleatórias?

Meus últimos textos são sobre as feridas. As feridas antigas, as novas... Sobre as dores que ainda ficam muito evidentes em mim. E eles nem me representam bem. Porque minha vida tem sido muito boa na verdade. A questão é que só sinto vontade de escrever quando bate a dor. Só o drama me move. 


Vamos ver onde o drama leva?

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Não posso ir embora

 Sabe porque é difícil ir embora?

Porque eu sinto que não vai te doer nem um pouco. Que você sai ileso disso. Que todo o peso, os problemas, ficaram comigo. 

Não posso ir embora porque não vou sair por cima. Não vou ter o meu momento. Não ganhei o que eu queria e não vou ter nem direito a vingança. De uma relação de reticências, não devia me surpreender sair com um enorme vazio.

Me responsabilizo pelas minhas fantasias exageradas, mas também te responsabilizo por todas as vezes que tu veio atrás quando eu tinha te deixado ir. Por todas as vezes que você, irresponsavelmente me fez promessas e não cumpriu. Todas as vezes que você ficou dias sem me responder.

E se eu for embora agora, saio com todas as frustrações. Especialmente a de ter perdido as inúmeras chances de sair do meu jeito. De não ferir meu ego. De não me abrir demais.

Eu saio depois de ter me exposto em excesso. De ter mostrado o que eu queria, desejava, pensava, fantasiava... De ter dividido meus textos, meu tempo, meu fogo... De ter corrido atrás demais, porque não entendia o seu vai e vem. De ter me disposto a estar ali e até te explicar calmamente que você não precisava jogar comigo, porque eu não precisava ser manipulada. "Eu vou estar aqui por você, independente de a gente ter algo". Te repeti mil vezes "Não faz promessas".

Implicitamente eu queria te dizer "Não faz promessas, porque eu acredito. E amanhã sou eu que tenho que limpar a bagunça."

Se minha fortaleza é ter fé e acreditar nas relações honestas, meu maior ponto cego é não conseguir aceitar que a reciprocidade não veio e não virá.

Não posso ir embora porque tá doendo no ego o tamanho da bagunça para 0 relação (especialmente quando a intenção nem era uma relação). Porque não sei desdar esse nó que você fez. Me sinto enredada nas armadilhas feitas sob medida para me testar. 

Tanto drama para tão pouca água nesse copo. Talvez (parte da dor) seja porque 2020 foi foda e a necessidade de se agarrar em qualquer coisa para aliviar foi grande. Você me pegou de jeito. 

E será que é só ego? Ou será que não posso ir embora agora porque vou ter que encarar uma relação que abriu a ferida que mal havia se fechado, de não ser desejada?

Talvez eu não possa ir embora porque não é isso que eu quero. Eu quero que dê certo. E desistir é só um plano B que eu não gosto. 

Essa é a possibilidade que mais odeio... Porque não quero, nunca mais, abrir a porta para você. Mas talvez eu não queira você. Talvez eu queria só... Alguém. 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Eu sou a tua vaidade

"Você não me quer de verdade
No fundo eu sou tua vaidade
...
Mas tem que me prender (tem!)
Tem que seduzir (tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor"

Toda vez que eu ouço essa música, especialmente na versão da Urias, tenho sede de vingança.

Eu fico com raiva de você, porque eu sei que sou a tua vaidade. E eu fico com raiva de mim por ficar inventando desculpas para aceitar. Você é mesquinho, desinteressado e eu cansei até de ter raiva. Já te briguei, bloqueei, inventei desculpas para voltar a trás. Já falei sério, já levei na boa... Nada adianta. 

Você sempre se aproxima quando eu me distancio. E quando me distancio e você me dá alguma atenção, eu acho (também na minha vaidade) que fiz funcionar. "Dessa vez eu acertei".

Na última pareceu mesmo que tinha dado certo. Você disse que eu tinha razão, me tratou como uma rainha. Pareceu honesto, pareceu que ia funcionar... E aí sumiu. Nenhuma surpresa, mas muita decepção. Por quê? Sei que você tem ótimas desculpas também para dizer que é falta de tempo. Mas não é isso não. É falta de interesse. Talvez você esteja se convencendo racionalmente que eu sou uma boa opção. Ou talvez você seja egocêntrico e mau-caráter mesmo. Vai saber? 

Me sinto idiota quando fico, me sinto idiota quando bloqueio, não aprendi a simplesmente ir embora. Na corda bamba eu vou tentando. Achar que eu posso fazer algo para dar certo é não saber largar o controle. Assim como minhas tentativas de te mostrar que eu to distante (indiretas, bloqueios) são formas de controlar, nem que seja a batida na sua cara.

Qual a lição que essa dança de quase dois anos (dois anos de muitas ideias, fantasias, frustrações e quase NENHUMA prática) quer me ensinar? [Qual a gestalt ainda por fechar]

Na minha fantasia...

E essas relações que fico tentando fazer funcionar? A todo custo. A custo de mim. 


Tem um carinha que fica me empurrando para fora da vida dele. Na minha fantasia é perfeito: a gente gosta das mesmas coisas, eu amo o trabalho dele e ajudaria UM MONTE. Gosto dos amigos dele, da família dele... Ia ser companheira para o churrasco, para o netflix, para o trabalho... UFA.

Sei não, mas talvez ele esteja sendo bem saudável em me manter longo, porque eu mesma não sei se conseguiria não mergulhar na vida dele e me deixar de lado. Será que já evolui para isso? 

E toda essa fantasia maluca que eu tenho e não consigo travar? Eu não sei gerir expectativas, essa é que é a verdade.

Eu sei sim a diferença entre as relações. Mas mesmo quando eu vejo que aquela é uma relação de algumas saídas, de sexo sem compromisso, eu já gere um MONTE de expectativas. Eu quero ser desejada todos os dias. Eu quero terminar um date já pensando no próximo, porque eu sou essa pessoa.

Se a gente sair uma vez, vou estar planejando a próxima. E eu QUERO TANTO. Eu me esforço taaaanto, que quando, não rola, parece uma injustiça comigo. Quando vou domar minhas fantasias?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Aquelas dúvidas que a carência trás

Eu sou uma mulher decidida. Não é uma casca. É que eu sou. Eu sou decidida. Eu sou direta. Se eu quero eu digo. Não aprendi a deixar espaço para dúvidas ou erros.

Sou assim no trabalho, sou assim nas relações. 

Não tenho medo de dizer se quero algo, se quero sexo, ou se quero amor.

Mas eu morro de medo de ser demais. Eu tremo toda vez que dizem que eu assusto. Quando conto um causo e me dizem "mas ele tava com medo... tu chega dizendo isso...". 

O que eu faço com tudo isso que sobra? Que é demais? É porque ninguém tem coragem de dizer o que sente? Ou é porque eu sou mulher? 

Bauman fala que o segredo das relações líquidas é o jogo entre ser uma relação totalmente descartável, mas, ao mesmo tempo, cheia de promessas de não ser. É comprometer o outro sem se comprometer... Mas eu não sei não me comprometer.

Eu já saio logo me comprometendo. Se a gente acorda que é no hard feelings, eu vou dar o meu melhor para estar ali de corpo e alma, sem entregar o coração. Tudo bem, tudo ótimo. E se eu quiser isso, vou te dizer. Porque não quero depois marmanjo dizendo que não foi avisado.

Agora se for uma relação, eu vou estar ali 100%.

E não é só o desejo expresso de forma direta. Eu me mostro muito. Eu falo. Eu escrevo. Eu fantasio. E eu só mostro 20% de todas as incongruências, pensamentos, desejos, que eu sou. Fico apavorada, contando as palavras. Pensando o que diabos eu tenho que fazer para não assustar?

E eu queria muito mandar tudo as favas. Melhor assustar logo né? Não quer? Corre. Mas será? Será que eu não to inviabilizando relações?


Nossa. Cansei. 

domingo, 6 de dezembro de 2020

Enxente

É raro, mas as vezes eu tenho vontade de escrever. ESCREVER. Sem saber sobre o quê. (Geralmente o que me move aqui e nos meus contos, é a vontade de falar sobre algo específico. Já bem definido. Não tem página em branco.)

Hoje é diferente. Hoje eu não sei onde essa página leva. Hoje eu queria falar sobre os sentimentos que tenho aqui dentro. Talvez, o primeiro impulso, é dizer que preciso organizar. Mas não é isso. Eu to indo bem na organização. Hoje eu preciso transbordar. 

Já me descreveram antes com a metáfora do lago. E a metáfora para a água de escorpião também. Você olha o lago de fora e ele parece tranquilo, mas ele é fundo e um turbilhão de coisas está ali. Ele é misterioso e poucas pessoas tem interesse/disposição/coragem para mergulhar.

E hoje o lago precisa transbordar, inundar. Não sei ainda bem como, ou para onde, ou por quê.

domingo, 9 de agosto de 2020

Impresso na pele

 Já faz tanto tempo que nós dois fomos nós dois. Muito mais tempo do que o mundo sabe. Porque nós não somos nós, muito antes dessa relação terminar.

Mas, ainda assim, aquelas tardes em seu apartamento estão impressas na minha pele. Aquele curto período de tempo de paixão e amor, em que nossos corpos realmente pareciam ser apenas um e a gente só queria nunca mais sair dali. Quantas vezes dissemos isso?

O sexo parecia uma oferenda ao nosso amor. Era lindo, mágico... Na minha lembrança até a luz parecia mágica. E quando falo de amor por ai... Eu penso nesses dias. 

Sinto em cada parte do meu corpo um arrepio, depois a falta e a tristeza. Onde a gente perdeu aquela conexão? 

Infelizmente eu tenho descoberto que a resposta é quando eu comecei a fingir não ver os problemas. Eu passei tanto tempo querendo garantir nossa felicidade, nosso sonho, nossa normalidade, que empurrei os problemas tanto quanto você (ou mais). Você mentia e eu fingia que acreditava... "Deixa para depois, isso não é importante." Mas era. Tudo era importante, para manter aquela conexão.

De tudo da nossa história, eu evito pensar nesses primeiros dias. Quando penso é como se o corpo inteiro levasse um choque e a tristeza é gigante. Porque isso era raro. E se quebrou. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O diálogo que eu queria ter

-Vamos sair hoje?
-Tenho planos já.
-Qual?
-Nao ser feita de trouxa.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

a minha única oração

Deusa, que eu nunca me arrependa de me abrir e mostrar toda minha intensidade para alguém. Que eu sempre me lembre que tudo isso é quem eu sou: inteira, intensa, forte. Não é dose para qualquer um. 
Me de a luz de saber a minha hora de mostrar, mas que eu não sofra se para alguém isso for demais.
Que eu não fique onde eu não couber.

terça-feira, 14 de julho de 2020

o silêncio da quarentena

Até agora eu não falei sobre a pandemia. Isso porque eu tenho estado tão focada em mim que não me sinto apta para falar sobre qualquer coisa de fora.

A pandemia me obrigou a pausar. A desligar o motor. Logo no início eu fui dispensada do trabalho. Faziam anos que eu não parava mais do que alguns dias.

Então eu parei. Foi muito bom. E eu sei que não existe lado bom da pandemia, só estou falando da experiência particular de parar de trabalhar, sem obrigação de voltar em seguida, sem prazo.

Mas descansar não foi fácil. O corpo acostumado a ter uma lista de tarefas (e no meio de uma pandemia) não relaxava. Tudo me deixava ansiosa. Será que tem comida em casa? Será que eu tenho atividades para preencher o dia? Comecei a fazer yoga feito uma alucinada. Adiantei minha pós. Fui produtiva.

Eu estava cumprindo bem minhas tarefas, mas uma coisa que me incomodava era que eu não tinha vontades de quase nenhum dos meus hobbies. Isso já antes da pandemia. Não tinha vontade de ler, ou ver séries, ou qualquer coisa na verdade... Meu último refúgio era jogar com amigos, porém, sendo sincera, nós últimos meses isso já não era a mesma coisa. Estava tudo cinza.

O tempo foi me soltando. Conforme meu corpo se sentiu descansado de verdade e minha consciência corporal foi aumentado com o yoga, fui me dando conta das coisas.

Veio um período de muita dúvida e dor. Vinham ondas de tristeza, choros, perguntas, insônia. Alguns dias bem ruins.

Eu não estava deprimida. Cada onda de tristeza vinha com uma onda de calma. Um sentimento de que eu tava desafogando. 

Comecei a entender o que não dava mais. Na verdade ainda estou aprendendo. Aí comecei a dizer alguns nãos e alguma coisa mudou (em mim ou em volta?). Cada não virava uma oportunidade melhor. 

Eu poderia dizer que estou me valorizando, sendo forte... A verdade é que as ondas de tristeza me trouxeram uma incapacidade de voltar a fazer coisas no piloto automático, a fazer algo porque é conveniente, ou parace o "certo". Só não dá mais.

Agora eu não sei ao certo onde quero estar no mundo, mas tô mais forte para dizer onde não quero. Também voltei a ter vontade de fazer as minhas coisas. Comecei a estudar python. 

Não sei explicar direito: essa jornada não tem sido fácil, mas nunca me senti infeliz. Mesmo no pior período eu me sentia bem de estar passando por isso. Porque eu senti muita falta de mim mesma. Eu sabia que sentir dor era melhor do que não sentir quase nada...

segunda-feira, 22 de junho de 2020

...

Teimosia ou loucura, é fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente. Então porquê?
Eu tenho muita dificuldade de abrir mão de algo que não se concretiza, para o bem ou para o mal. Eu preciso conseguir, ou ter certeza que não há nenhuma chance ali de dar certo. Minha fantasia é forte demais para encerrar algo sem uma decisão. Aceitar que a falta de resposta do outro já é a própria resposta.

Então, de novo, estou diante desse ciclo: eu já tentei tudo o que eu podia para conseguir levar uma história adiante, as respostas sempre foram evasivas. Minha reação da primeira vez foi dar deixar BEM CLARO que EU estava fechando a porta, porque não sou mulher de metades, de portas abertas que esperam eternamente... Ou tá com os dois pés, ou não tá.

Eu tinha certeza que tudo o que vinha dali era um jogo. O cara sempre aparece para falar como está com saudades, ou como seria legal SE um dia fossemos fazer alguma coisa... Mas na vida prática, esse SE, nunca aconteceu. E eu sei que quem quer, arranja tempo, arranja espaço, convida de verdade, com data e hora.

Então cansei desse jogo e mandei tudo as favas. Certíssima.

Mas o tempo passou. E se a porta tava fechada, achei que não teria mal abrir uma janela, tentar outro tipo de convivência. Por quê? Não sei responder... Talvez, dentro de mim, a fantasia tenha criado mil desculpas para tudo. Eu comecei a enxergar uma possibilidade. Eu podia fazer melhor. Eu podia criar uma possibilidade que funcionasse. Porque tudo o que eu imagino que esta pessoa tenha para oferecer, o que eu imagino que poderíamos ser, vale a pena.

Então abri a janela, a porta... E agora estou sentada no sofá, de novo, esperando... E louca para fechar a porta e a janela, mas não sei como fazer sem drama, sem jogar na cara, sem brigas. Sem ponto final.

Tenho que aprender que, na vida, reticências também significam o fim da frase.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

fluxo e tempo

O amor é uma coisa engraçada.

Primeiro ele surge de fininho. Você sente que algo está crescendo, mas quando você olha ele te tomou todo seu coração.

E como nós humanos não sabemos direito a medida das coisas, achamos que é impossível amar mais alguém. Mas amamos cada segundo mais. O amor cresce e floresce.

Aí nós acostumamos a ele. E o amor não gosta de conformidade.

Da mesma forma sutil que ele surgiu, ele começa a morrer. No início são pequenas coisas, que não importam tanto... Mas a morte vai crescendo e embolando tudo o que foi bom com falta e vazio.

O que sobra do seu coração tomado, é oco.

É assim que sentimos. A vida, com seus nascimentos e mortes, é poderosa e nos arrasta. Sentimos que não temos o controle dos amores, nem mesmo em seu fim.

Mas vai passar. A vida é fluxo continuo de inícios e fins... Não é fácil, mas não é tão descontrolada ou cruel quanto nos parece em certos momento. É só o fluxo seguindo.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

A gente só deveria se importar com quem nos ama. Com quem nos faz bem. Aqueles não nos amam, ou nos amam pouco (o que é pior ainda) não deveriam fazer parte da equação.
Que régua maldita é esse que te mede por quem não te ama?