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domingo, 9 de agosto de 2020

Impresso na pele

 Já faz tanto tempo que nós dois fomos nós dois. Muito mais tempo do que o mundo sabe. Porque nós não somos nós, muito antes dessa relação terminar.

Mas, ainda assim, aquelas tardes em seu apartamento estão impressas na minha pele. Aquele curto período de tempo de paixão e amor, em que nossos corpos realmente pareciam ser apenas um e a gente só queria nunca mais sair dali. Quantas vezes dissemos isso?

O sexo parecia uma oferenda ao nosso amor. Era lindo, mágico... Na minha lembrança até a luz parecia mágica. E quando falo de amor por ai... Eu penso nesses dias. 

Sinto em cada parte do meu corpo um arrepio, depois a falta e a tristeza. Onde a gente perdeu aquela conexão? 

Infelizmente eu tenho descoberto que a resposta é quando eu comecei a fingir não ver os problemas. Eu passei tanto tempo querendo garantir nossa felicidade, nosso sonho, nossa normalidade, que empurrei os problemas tanto quanto você (ou mais). Você mentia e eu fingia que acreditava... "Deixa para depois, isso não é importante." Mas era. Tudo era importante, para manter aquela conexão.

De tudo da nossa história, eu evito pensar nesses primeiros dias. Quando penso é como se o corpo inteiro levasse um choque e a tristeza é gigante. Porque isso era raro. E se quebrou. 

sábado, 21 de março de 2020

Eu e eu

Hoje estava lembrando do dia do meu casamento.

Eu fiz questão de que todas as madrinhas fossem no salão comigo. Era aniversário da minha futura sogra, fiz uma surpresa para ela no salão, com bolo, parabéns, champagne...
Eu também fiz a cerimônia de casamento com as alianças da minha vó, como uma forma de conectar as histórias da família.

Eu quis tanto estar com todos perto, procurei tanto uma familiaridade com todos que estavam naquele momento... Quis conectar e aproximar. Quis me sentir unindo as nossas famílias e começando uma história linda.

Mas tem um detalhe BEM emblemático. Eu fui sozinha para o casamento. Estávamos em 5 madrinhas, minha sogra e minha prima. Todas se maquiaram ali comigo, mas precisavam voltar para casa para se vestirem.

Eu não pensei neste detalhe! Claro que não, tão preocupada que eu estava de cuidar de todo mundo... Mas fui para meu casamento como em quase tudo na vida: sozinha.

As fotos vão mostrar eu cercada de gente e depois eu chegando no casamento com meu pai me recebendo.

O que as fotos não mostram é que eu fiquei sozinha no salão, me vestindo. Tremendo de ansiedade. Entrei no carro sozinha. Sozinha eu cheguei no casamento e soube que o noivo tinha se atrasado e vi mil coisas passando na minha cabeça. Não podia entrar em pânico, porque não tinha ninguém ali.

Enquanto esperava, escondida no estacionamento, para que ninguém me visse ainda, especialmente o noivo, eu respirei fundo (estorei o fecho do vestido) e aguentei.

Foram só alguns minutos, logo tudo se acertou e o baile seguiu.

Mas, como quase toda a nossa vida, o que as fotos não mostram é essencial. Quase todas as minhas jornadas foram cercadas por fora de muita companhia, mas e de verdade? Naquele momento de encarar e ir em frente, é eu, comigo.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Minha criança

Minha criança
Não foram gentis com você

Você foi chamada a ser adulta muito cedo
A cuidar
A ser responsável
A ser boa

Minha criança, te chamaram tomar decisões
Depois reclamaram que você queria sentar na mesa dos adultos
Te ensinaram a cuidar quando você deveria estar brincando

Quando você não deveria nem cuidar de si mesma, já estava cuidando dos outros

Agora você precisa voltar. Agora você precisa reaprender a brincar, a ser leve, a se escutar e saber do que gosta

Você não teve esse direito.
O mundo te exigiu mais do que apenas cuidar de si mesma. Ele exigiu que você cuidasse dos outros. Dos adultos.

Cruelmente você estava em segundo plano.
Cruelmente aqueles que você buscou conforto te ensinaram o que é abuso. Te ensinaram que nesse mundo você tem que se proteger sozinha.

Minha criança, eu abro os braços para você e espero que agora eu possa cuidar de você. Te dar amor e espaço. Te deixar viver.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Just no

-Não fala assim comigo.
-Por que?
(Porque pareço forte, mas vou acreditar que seu interesse é real. Vou sonhar. E quando eu entender que o sonho era só meu, vou sofrer sozinha. Vou abrir as velhas ter feridas e vai doer. Não vou morrer por isso, mas não quero passar por isso de novo, especialmente se isso for um convite para uma noite. Não sou mais garota de uma noite. Quero uma chance real para tentar. Você poderia me dar isso? Você poderia me ajudar quando der errado? Você arrumaria a bagunça que estaria depois? Pode parecer demais tanta expectativa em tão pouco, mas é como eu estou agora. Por isso te peço, não faça isso.)
-só não.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Algumas coisas deixam marcas profundas. A rejeição constante dói. Marca na pele e na alma. É difícil se refazer depois.
Eu me acho bonita, linda na verdade. Interessante... um mulherão.
Mas a constante rejeição me fez não sentir mais desejo, desejo puro e simples, desejo por qualquer pessoa ou desejo por mim.
E agora é tão difícil lidar com o desejo. Alguém me desejando parece irreal, como assistir um filme. Sentir desejo se mistura com um monte de coisas. Eu nem sei organizar e nomear. Ou saber o que é desculpa e o que eu realmente sinto.
Porque me sentir dessa forma agora é admitir que eu vivi um inferno. É encarar o quanto eu fui magoada, encarar de frente toda a dor que eu fingi que não estava lá.
Podia ser eu e você. Mas você não me quis.
Simples assim.

Há tempos

Eu ando querendo estar com alguém. Mas me chateio com qualquer frustração de tentar conhecer alguém. Um não esta interessado, outro não esta disponível, o outro ta mais interessado em outra pessoa outro nem te olha... Não tenho levado com leveza esses sentimentos.
Da onde vem essa carência?
Vem da tristeza e do cansaço. Parece que estou esperando a pouco tempo, mas estou esperando há anos por isso. Estou exausta de esperar e só queria pular a parte de achar alguém. Tudo parece tão complicado, desnecessariamente complicado.
No fundinho começa a bater aquela dúvida: "será que alguém vai gostar de mim e eu de volta?".
A vida é mais desencontros do que encontros?
Como resistir a tentação de entrar em uma relação vazia, só para preencher um pouco o espaço em branco?
Eu deveria resistir?

domingo, 4 de novembro de 2018

"Eu precisei partir.

É, eu tentei.

Eu abri as janelas todas as manhãs e deixei a luz do sol entrar, com a esperança de que ela preenchesse aqueles cômodos que, mesmo estando ocupado por nós dois, pareciam estar vazios.

Eu reguei as flores, porque queria que algo permanecesse vivo.

Organizei seus livros e discos, achando que a organização externa camuflaria a bagunça que se passava aqui dentro.

Você me disse que amar é remar em alto-mar, mas quis que eu conduzisse ambos os remos. E, enquanto a água que invadia o bote cobria nossos corpos, culpou-me, fazendo-me acreditar que meus braços eram fracos e incapazes de resistir a maré.

Foi por isso que resolvi partir.

Porque meus pulmões gritam quando veem a água tocar meus pés. Porque meus braços estão cansados e, mesmo remando incessantemente, permaneço no mesmo lugar.

Preciso partir porque estou partido.

Ir embora me dói, confesso, mas continuar aqui, também.

Dentre as feridas, optei por aquela que cicatrizará mais rápido.

Com carinho, a pessoa que deixou de remar por dois e aprendeu a nadar por ela.

Adeus."

Felipo Rolim


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Eu vou ser sua melhor amiga. Sua melhor parceira. Vou estar do seu lado e apoiar, ajudar e até te levantar quando você não conseguir. Vou ser paciente, compreensiva, ver sempre o lado positivo e buscar resolver. Vou te pedir algo apenas quando realmente precisar e sempre conciliar suas necessidades com as minhas. Você vai estar no céu. Talvez você esqueça de cuidar de mim, porque eu não preciso, eu aguento. Talvez você não leve tão a sério os meus pedidos, porque eu sempre sou razoável e não brigo quando as promessas não são cumpridas. Porque quando você erra, eu ainda vou estar sorrindo. E vou te dar uma segunda chance, uma terceira... Talvez você ache que se eu não falei mais nada é porque eu aceitei. Talvez você pense que eu sou incansável, invencível, incapaz de desistir! Talvez você pense que eu ache que o amor é capaz de tudo, só porque sou capaz de amar demais.

Talvez você esteja errado. E quando estiver, a.ca.bou

.
.
.

"Da primeira vez ela chorou 
Mas resolveu ficar.
É que os momentos felizes 
Tinham deixado raízes no seu penar. 
Depois perdeu a esperança 
Porque o perdão também cansa de perdoar."

sábado, 26 de maio de 2012

"(...)
Contudo, no final foram as tardes de domingo que se tornaram insuportáveis: aquela terrível sensação de não ter absolutamente nada para fazer que se instala em torno das 14h55, quando você sabe que já tomou um número mais que razoável de banhos naquele dia, quando sabe que, por mais que tente se concentrar nos artigos dos jornais, você nunca conseguirá lê-los nem colocar em prática a nova e revolucionária técnica de jardinagem que eles descrevem, e quando sabe que, enquanto olha para o relógio, os ponteiros se movem impiedosamente em direção às 16 horas e logo você entrará no longo e sombrio entardecer da alma.


A partir daí as coisas começaram a perder o sentido. Os sorrisos alegres que costumava distribuir durante os funerais dos outros começaram a sumir. Aos poucos, começou a desprezar o Universo em geral e cada um dos seus habitantes em particular."

Volume três da série "O mochileiro das Galáxias" (ou "Fronteiras do Universo") - A Vida, O Universo e Tudo o Mais.
Douglas Adams. 

Amo esse livro, separei esse trecho a mais ou menos 4 meses atrás. Aliás, eu separei ele no dia 27 de janeiro. E, neste dia, as coisas mudaram profundamente. Talvez por isse esse texto tenha ficado perdido em rascunhos. Mas gosto dele. Então pelo dia do Orgulho Nerd (atrasadoo!!), aí está.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pequenas revelações. (Nem tão pequenas assim)

Ou sobre sonhos, band-aid's, big bang e o amor. Ah o amor.

Ele estreou. Eu não estava lá.Eu brilhei no trabalho e não dividi com ele.
O problema de terminar uma relação não é terminá-la. É como arrancar band-ai: causa ansiedade, dói pra cacete, mas é de uma vez quando você simplesmente faz. E vem o alívio. O problema é depois.
O termino é como um big bang na vida pessoal. Explode, é grande, vai para todos os lados. Quando você acha que ele termina, não terminou. Tudo ainda se mexe. Se distancia, devagar.
Então você assiste seus sonhos escorrerem pelos seus dedos, se afastando. Como o natal. O natal que sonhei em passar junto com ele e o tablet que planejei presentear.

Dói muito mais.

[Em tempo: em algum lugar desse universo deve haver vida. Só o tempo cura.]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Novas cores

Sinto uma vontade enorme de chorar.
Primeiro porque passei por coisas demais nos últimos tempos. Sacudi minha vida e isso foi bom. Fez eu ver o que estava empoeirado. Fez meu mundo se arranjar e exergar coisas novas.

Ganhei sensibilidade.
Hoje gentiliza me fez chorar, porque poucos foram sinceramente gentis comigo.
Sensibilidade me fez novas cores também. E por novas cores quero dizer cores novas em algumas pessoas e até brilho. É bonito e me está me confundindo.

Algumas pessoas perderam cores. E isso dói. Não sei mais o caminho que quero tomar, mas sei que está tudo diferente e que as cores são outras. E que isso me causa dor. Porquê? Talvez porque tenha apostado muito nas cores fortes que via quando minha respiração falhava. Havia uma gama de vermelhos e pretos profundos. E se perdeu. Onde? Porquê?

"A onde está você, além de aqui..."





Em tempo: comecei um projeto novo com um grande amigo, Luiz. É uma reunião de teorias, ou um manual, sobre relacionamentos/sexo/amor. A idéia é antiga, começamos agora porque a numerologia dizia que...
mentira! É porque uma das teorias que ele partilhou comigo, e eu adoro, inspirou este post. Então insisti com ele para digitalizar e postar.

Sobre pessoas coloridas e pessoas brilhantes [não como Restart, óbvio]

http://relacionandoteorias.blogspot.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um dia eu fiz tudo por um cara.
E não valeu a pena.

Eu sempre fui aquela garota que acredita que se você viveu e fez, valeu. Agora vamos falar sério?
O que esse cara deixou para mim? (na verdade foram dois então vamos colocar assim: o que cada um desses caras a quem eu dei tudo, deixaram para mim?)

1-Eu fiquei um caco e um PORRE por um ano (no mínimo) depois de terminar com eles.
2-Toda a dor que eu passei e tudo o que eu fiz, para no fim descobri o que eu sabia desde o início, uma hora a dor passa e eles se vão, eu sobrevivo.
3-Eles não tinham nada para mim e ainda agiram como babacas ou covardes. Ou os dois.

"E quanto vale o tempo todo que vivemos correndo atrás dos sonhos pra viver só de amor?
E quanto a gente paga pelos sonhos que deixou?"

Eu sei que não deixei meus sonhos. Fiz tudo o possível (e todas as merdas) ao meu alcance, mas e daí? Enchi o saco desses amores arrebatadores que me fazem enlouquecer por anos a fio. Sim porque eu realmente fico muito tempo apaixonada. Não sei se amadureci o suficiente para viver outro tipo de relação, mas desejo muito que sim.
Desejo muito viver com menos e melhor. Viver mais por mim.

domingo, 22 de agosto de 2010

É clichê dizer que existem dois tipos de solidão, e que o pior é aquele que você sente no meio de um monte de gente, mas, clichê ou não, é verdade.

Eu que sou solitária por natureza, que adoro um cinema sozinha, ando amargurando o tipo ruim. Estou só. E não tem importado muito onde ou com quem estou. E não é estado de espírito! Minha vida está de cabeça para baixo, bagunçando todas as relações me mostrando a solidão de estar no meio de estranhos. Estranhos conhecidos.

Não há paz nesta solidão, há barulho demais. Prefiria estar então sozinha, em silêncio, podendo me ouvir. Como quando eu podia sair de casa e ir no cinema e ouvir meus pensamentos em paz!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tem essa dor aqui no peito, como um espinho debaixo da unha que não se pode mexer sem doer mais e mais só que na exponencial 10, onde estão todas as dores, amores, flores e horrores da minha história.
O house disse hoje, ou segunda que é quando sai oficialmente seus episódios, no episódio 6.20 (mal aí pelo spolier galera) para seu terapeuta que ele prometeu a felicidade para ele. Bom eu me sinto um pouco assim também. Minha terapeuta não me prometeu isso, eu bem sei, mas eu fui lá atrás disso! Não pago a grana que pago atrás de outra coisa que não ser feliz!
E em quase um ano pareço encontrar infelicidade embaixo de infelicidade! Estou chanfrodando em todas os meus sintomas e infelicidades. Toda vez que tomo um fôlego é apenas para mergulhar mais fundo e descubrir mais uma!

Vejam eu faço psicologia, sei até certo ponto qual é o processo... Mas doí. As vezes não é fácil. As vezes não é fácil aceitar que você não quer sair, que você estar melhor mesmo sozinha, longe de quem ama. É nas pequenas coisas que dores aparecem mais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tenho em meu peito um buraco aberto por uma arma de fogo que doí imensamente.
Gostaria de ser forte, de seguir em frente, de te deixar par trás, de aceitar o seu não. Mas não dá.

E enquanto os olhos enchem de lágrima, mas não as deixam correr, eu caminho todos os dias para algum lugar que eu não sei bem qual é. Procurando seguir, procurando você. Ainda.
Esse buraco é a dor da saudade. Só que a borda é a esperança, é por causa dela que não cicatriza. Uma partezinha minha quer muito esquecer! Esta parte está afogada na imensidão de todo o resto e da vontade do que eu quero de verdade.

Porque eu ainda quero tanto?
To tão cansada.