Saudades.
Da minha mãe.
De tomar banho de chuva.
De mim mesma.
De ser desejada.
De ter para quem ligar quando falta luz.
Só saudades de outros tempos.
Enquanto a luz não volta, fico aqui lembrando de um tempo em que minha mãe estaria na janela fumando, esperando a chuva passar.
Eu provavelmente estaria tomando um banho de chuva, ou pelo menos com a mão para fora de casa, para sentir os pingos.
Enquanto a luz não volta, pude sentir as feridas, novas e antigas, sem distrações. Deixando a tempestade lavar um pouco da alma junto.
Dói não ter minha mãe. Dói não ter M. Por tantos motivos diferentes, porque a vida é assim, hoje eu estou aqui encarando a tempestade, serena, mas sem me enganar sobre o que está doendo.
Foram anos fingindo que não doía. Mas dói.