domingo, 3 de janeiro de 2021

Aqueles casais tóxicos que amamos

Porque gostamos de acompanhar casais que não deveriam ficar juntos?

Estou falando de casais, da ficção, que são tóxicos. Aqueles que se fazem mal, que mentem, que são péssimos um para o outro. Outro dia vi que alguém dizendo que é porque esses casais tem química. Em parte é isso, mas em parte é a ilusão de que deveríamos trocar tudo por amor. 

Acho que gostamos de acreditar que quando se ama alguém, deve-se ficar junto. A qualquer custo. Apesar de tudo. Eu AMO casais gato e rato. Se forem gato e rato complicado, cheio de atração proibida, com os personagens cheios de complicações emocionais... ai eu shippo mesmo.

Mas é uma ilusão.

Primeiro que a maior parte desses casais não é amor. É paixão. Ter alguém que te faz mal, mas que o toque te enlouquece a ponto de você esquecer tudo... É só fogo. Pode ser lindo na ficção, mas na vida real é o que prepara o terreno para a gente confundir agressão com química. Amor com pele. E achar que (apesar de tudo o que se está sofrendo agora) a resolução mágica do final feliz tá logo ali.

Spoiler: não está.

Então bora rever esses conceitos?

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.