Sou otimista. Eu acredito no melhor das pessoas. Sempre acreditei e nem consigo fazer diferente. Para me convencer do contrário, alguém precisa passar mais ou menos uns quatro anos me ferindo, então eu desisto.
Também confio que sempre podemos fazer escolhas melhores. Como diz uma grande professora minha, "Se não acreditasse na mudança, fechava a porta do consultório e ia embora". Eu estou abrindo as portas do meu consultório, logo creio muito em mudanças, mas (sempre tem um não é) também vejo que mudar não é simples.
A maior parte das vezes em que podemos escolher um novo caminho, que nos leve aquelas mudanças que tanto queremos, trememos de medo, o desconhecido as vezes parece pior que a dor que o velho caminho para casa nos traz.
Isso tudo, é claro, é chover no molhado. Quem nunca se viu, consciente ou não, indo exatamente na direção daquilo que gostaria de se afastar. Ok. História velha então? Nem tanto. Porque, dizem por ai que se você entender que é preciso coragem e uma dose extra de entendimento de si para ir em frente e tudo muda.
Estamos aqui. No ponto em que eu deixei a velha estrada do conhecido e dolorido para o novo. Deixei os meus amores quebrados que pediam de mim cuidado, atenção e amor extremos. Escolhi deixar isso para trás e os passos seguintes foram simples e fáceis. E vivi coisas novas,
fáceis,
boas. Me deixei ser cuidada.
O problema de mudar é que mesmo depois da escolha feita pode ser muito difícil se manter nesse lugar novo. É como aquela cadeira nova. Tinha uma cadeira para a mesa do computador. Era verde e preta, velha. O estofado já tinha sumido, as regulações não funcionavam a anos. Odiava ela inteira, do xadrezinho rídiculo aos barulhos. Então troquei por uma vermelha, linda, macia, com regulação para deitar as costas. Só que as vezes eu simplesmente não achava posição!
Me sinto assim muitas vezes. Esse não é meu lugar habitual, não acho aquele lugar habitual. Tem espaço... Me dá medo. Porque apesar das comparações, se acostumar com uma cadeira e com um relacionamento totalmente novo é bem diferente, certo?
Dizem que o primeiro passo é sempre o mais difícil. Eu discordo, acho que o caminho inteiro é muito difícil. Sou só eu?
[Ps. Graças ao C. tem sido bem mais fácil quando eu paro de enlouquecer e respiro fundo. É bom ter alguém para segurar minha mão.]