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domingo, 3 de janeiro de 2021

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Não posso ir embora

 Sabe porque é difícil ir embora?

Porque eu sinto que não vai te doer nem um pouco. Que você sai ileso disso. Que todo o peso, os problemas, ficaram comigo. 

Não posso ir embora porque não vou sair por cima. Não vou ter o meu momento. Não ganhei o que eu queria e não vou ter nem direito a vingança. De uma relação de reticências, não devia me surpreender sair com um enorme vazio.

Me responsabilizo pelas minhas fantasias exageradas, mas também te responsabilizo por todas as vezes que tu veio atrás quando eu tinha te deixado ir. Por todas as vezes que você, irresponsavelmente me fez promessas e não cumpriu. Todas as vezes que você ficou dias sem me responder.

E se eu for embora agora, saio com todas as frustrações. Especialmente a de ter perdido as inúmeras chances de sair do meu jeito. De não ferir meu ego. De não me abrir demais.

Eu saio depois de ter me exposto em excesso. De ter mostrado o que eu queria, desejava, pensava, fantasiava... De ter dividido meus textos, meu tempo, meu fogo... De ter corrido atrás demais, porque não entendia o seu vai e vem. De ter me disposto a estar ali e até te explicar calmamente que você não precisava jogar comigo, porque eu não precisava ser manipulada. "Eu vou estar aqui por você, independente de a gente ter algo". Te repeti mil vezes "Não faz promessas".

Implicitamente eu queria te dizer "Não faz promessas, porque eu acredito. E amanhã sou eu que tenho que limpar a bagunça."

Se minha fortaleza é ter fé e acreditar nas relações honestas, meu maior ponto cego é não conseguir aceitar que a reciprocidade não veio e não virá.

Não posso ir embora porque tá doendo no ego o tamanho da bagunça para 0 relação (especialmente quando a intenção nem era uma relação). Porque não sei desdar esse nó que você fez. Me sinto enredada nas armadilhas feitas sob medida para me testar. 

Tanto drama para tão pouca água nesse copo. Talvez (parte da dor) seja porque 2020 foi foda e a necessidade de se agarrar em qualquer coisa para aliviar foi grande. Você me pegou de jeito. 

E será que é só ego? Ou será que não posso ir embora agora porque vou ter que encarar uma relação que abriu a ferida que mal havia se fechado, de não ser desejada?

Talvez eu não possa ir embora porque não é isso que eu quero. Eu quero que dê certo. E desistir é só um plano B que eu não gosto. 

Essa é a possibilidade que mais odeio... Porque não quero, nunca mais, abrir a porta para você. Mas talvez eu não queira você. Talvez eu queria só... Alguém. 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Eu sou a tua vaidade

"Você não me quer de verdade
No fundo eu sou tua vaidade
...
Mas tem que me prender (tem!)
Tem que seduzir (tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor"

Toda vez que eu ouço essa música, especialmente na versão da Urias, tenho sede de vingança.

Eu fico com raiva de você, porque eu sei que sou a tua vaidade. E eu fico com raiva de mim por ficar inventando desculpas para aceitar. Você é mesquinho, desinteressado e eu cansei até de ter raiva. Já te briguei, bloqueei, inventei desculpas para voltar a trás. Já falei sério, já levei na boa... Nada adianta. 

Você sempre se aproxima quando eu me distancio. E quando me distancio e você me dá alguma atenção, eu acho (também na minha vaidade) que fiz funcionar. "Dessa vez eu acertei".

Na última pareceu mesmo que tinha dado certo. Você disse que eu tinha razão, me tratou como uma rainha. Pareceu honesto, pareceu que ia funcionar... E aí sumiu. Nenhuma surpresa, mas muita decepção. Por quê? Sei que você tem ótimas desculpas também para dizer que é falta de tempo. Mas não é isso não. É falta de interesse. Talvez você esteja se convencendo racionalmente que eu sou uma boa opção. Ou talvez você seja egocêntrico e mau-caráter mesmo. Vai saber? 

Me sinto idiota quando fico, me sinto idiota quando bloqueio, não aprendi a simplesmente ir embora. Na corda bamba eu vou tentando. Achar que eu posso fazer algo para dar certo é não saber largar o controle. Assim como minhas tentativas de te mostrar que eu to distante (indiretas, bloqueios) são formas de controlar, nem que seja a batida na sua cara.

Qual a lição que essa dança de quase dois anos (dois anos de muitas ideias, fantasias, frustrações e quase NENHUMA prática) quer me ensinar? [Qual a gestalt ainda por fechar]

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O diálogo que eu queria ter

-Vamos sair hoje?
-Tenho planos já.
-Qual?
-Nao ser feita de trouxa.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

...

Teimosia ou loucura, é fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente. Então porquê?
Eu tenho muita dificuldade de abrir mão de algo que não se concretiza, para o bem ou para o mal. Eu preciso conseguir, ou ter certeza que não há nenhuma chance ali de dar certo. Minha fantasia é forte demais para encerrar algo sem uma decisão. Aceitar que a falta de resposta do outro já é a própria resposta.

Então, de novo, estou diante desse ciclo: eu já tentei tudo o que eu podia para conseguir levar uma história adiante, as respostas sempre foram evasivas. Minha reação da primeira vez foi dar deixar BEM CLARO que EU estava fechando a porta, porque não sou mulher de metades, de portas abertas que esperam eternamente... Ou tá com os dois pés, ou não tá.

Eu tinha certeza que tudo o que vinha dali era um jogo. O cara sempre aparece para falar como está com saudades, ou como seria legal SE um dia fossemos fazer alguma coisa... Mas na vida prática, esse SE, nunca aconteceu. E eu sei que quem quer, arranja tempo, arranja espaço, convida de verdade, com data e hora.

Então cansei desse jogo e mandei tudo as favas. Certíssima.

Mas o tempo passou. E se a porta tava fechada, achei que não teria mal abrir uma janela, tentar outro tipo de convivência. Por quê? Não sei responder... Talvez, dentro de mim, a fantasia tenha criado mil desculpas para tudo. Eu comecei a enxergar uma possibilidade. Eu podia fazer melhor. Eu podia criar uma possibilidade que funcionasse. Porque tudo o que eu imagino que esta pessoa tenha para oferecer, o que eu imagino que poderíamos ser, vale a pena.

Então abri a janela, a porta... E agora estou sentada no sofá, de novo, esperando... E louca para fechar a porta e a janela, mas não sei como fazer sem drama, sem jogar na cara, sem brigas. Sem ponto final.

Tenho que aprender que, na vida, reticências também significam o fim da frase.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sex and the city/Jane a Virgem (essa sou eu)

Vou dar uma de Carrie sobre a noite da última terça-feira. E de Jane.

Vamos explicar porque da Jane: na 4a temporada da série a escritora volta a se relacionar com seu primeiro namorado e sente que quando está com ele é a "Fun Jane", muito diferente da Jane atual, que é mãe, mais velha e com diversas outras questões/preocupações na cabeça.

Na noite de terça eu passei exatamente por isso. Eu tive meu próprio Barney (sim, este post está virando uma salada de referências) que fez minha noite ser legendária. Eu trouxe a "Karina de 20 anos" de volta a ativa e fiz coisas que há mais de 7 anos não fazia. Como beber tequila do jeito mais provocante possível. Eu achei que essa Karina era passado e foi MUITO BOM trazer ela de volta. Me fez perceber que é difícil ser a "Fun Karina" quando existe tanta bagagem há mais, mas é possível.

E se há 10 anos atrás eu fazia 80% do que eu fazia para dar um show, essa noite me fez lembrar que é isso mesmo, mas o show sempre foi para mim. Me diverti muito e quando senti que tinha feito tudo o que eu queria, peguei minhas coisas e vim para minha casa. Muito satisfeita comigo mesma.

Aqui vamos para parte da Carrie. Como é ser divorciada aos 30 anos? Como é se interessar por alguém depois disso tudo? Realmente difícil e duro.

Existe esse carinha, por quem eu me interessei desde o começo, mas por um monte de questões da vida, o universo e tudo o mais (salada de referências!) nunca expus muito. Mas assim que as coisas foram se resolvendo e o caminho estava liberado, eu disse exatamente o que eu queria. E a resposta foi evasiva. Eu, com certa experiência nas costas, nem insisti. Ponto para ter 30 anos e aprender com o que já passou. A Karina de 20 anos teria insistido muito.

A gente conversou depois de um tempo e ele me indicou que queria minha amizade. Fiquei bem satisfeita com isso, porque as coisas se resolveram e ele pareceu se importar com o distanciamento que o meu flerte causou. Passou a tensão. Fiquei bem e passei a tratar como um amigo.

Então a terça-feira aconteceu. E depois dela, depois de estar em casa comemorando com as duas Karinas pela noite ótima, ele me procurou. E, por um momento, foi ótimo. Alguns momentos. Que foram ótimos (só reforçando).

Mas no outro dia pela manhã eu revi aquela noite com meu óculos da experiência (veja bem, eu sei que é pouca experiência e que quando tiver quase 40, vou me achar ridícula por me achar sábia hoje). E a reação dele foi sobre a Karina de 20 anos. Lado bom: eu tenho achado que meus velhos truques não funcionavam mais. Isso estava sendo frustrante e desorientador. Então foi bom saber que alguns velhos truques funcionam muito bem.

Mas também foi triste. Porque a Karina de 30 anos é maravilhosa também. E ela não recebeu a devida atenção. E eu sou 90% Karina de 30 anos. Esse cara não reagiu a tudo o que eu sou, só a uma pequena janela de mim.

Então alguns truques ainda são muito bons, mas eles me dão os resultados que eu queria há 10 anos atrás. Não é bem o que eu quero agora. Então estar voltado ao mundo dos solteiros tem sido difícil para quem sabe exatamente o que quer e não está mais muito afim de "aproveitar" enquanto não acha.

Ok, talvez eu seja mais Charlotte que Carrie, muito mais Ted do que qualquer outro personagem...