Ultimamente eu me sinto encontrada comigo muitas vezes. Então pensei que ia estar nas nuvens revisitando esse lugar mágico do meu passado.
Bem eu me encontrei com muitas partes minhas, mas nenhuma das que eu esperava. Primeiro eu lembrei de tantas pessoas que me formaram. Minha mãe, minha vó, meu vô, meus melhores amigos...
Mas tive que encarar a passagem do tempo. Aquela cidade não é mais como eu lembrava. As coisas que eu lembrava não existem mais. As ruas mudaram... Eu já não tenho mais intimidade com os caminhos. Quantos anos... As coisas mudaram...
Mas aí, depois de algum tempo sentindo um incomodo no peito, percebi que a cidade não mudou. Não tanto assim. Ela me parece muito menor, muito menos glamourosa, mas na verdade ela é assim. Sempre foi. O brilho era do sentimento de refúgio. Mas eu não preciso mais de refúgio.
Eu estou deslocada de lá. A muito tempo me sinto em casa na minha casa. Tudo aqui é mais bonito. O sol, o mar, o vento... O que eu achei que tinha ido procurar lá, estava comigo. Ainda assim, encontrei com partes minhas. Hoje posso me dar ao luxo de me entristecer com o que mudou, com as perdas... Mas também encarar quantas cidades eu precisei pintar de paraíso para ter um momento de paz.
Um brinde aos encontros e desencontros das nossas várias versões.