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domingo, 3 de janeiro de 2021

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.

domingo, 8 de março de 2020

"A ideia de que somos
tão capazes de amar
mas escolhemos 
ser tóxicos"

Rupi Jair

A poesia sempre me da vontade de escrever.

Essa tocou fundo na minha alma. Com certeza no futuro eu não vou lembrar que dia foi quinta-feira. Eu não vou lembrar quem eu magoeei, os detalhes se perderam no tempo.

Mas vale a ideia de que um dia eu tratei uma pessoa como objeto, falei coisas apenas para machucar e ainda bloqueei essa pessoa.

Porque eu fiz tudo isso? Porque ele perdeu o interesse. Porque as feridas abertas ainda doem muito.

Porque podiam ser tantas coisas e simplesmente não foram.

Eu fui humana, demasiadamente humana. Fui vingativa e cruel. 

Eu nunca tinha estragado o dia de uma pessoa. A sensação é nova.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Amanhã

Eu quero algo real.
Estou constantemente adiando a vida.
Amanhã eu descanso, amanhã eu ponho a serie em dia, amanhã eu volto a dançar, amanhã eu termino, amanhã eu vou ler mais, amanhã eu vou realmente terminar este trabalho, amanhã eu preparo uma comida mais saudável, amanhã...
O amanhã é a essência do problema. Não sei como parar a roda, mas preciso pular dela. Preciso não sentir que estou sufocando no amanhã. E, então, partir para realidade da vida.
Porque eu queria estar vivendo algo real.

domingo, 9 de junho de 2019

Três divórcios

"Eram 20h00. Levantou os olhos de seu computador, só para constatar o que já sabia. Era a última pessoa ali. De novo. Suspirou e começou mentalmente a pensar em todos os motivos porque ainda estava ali. Havia muito trabalho a ser feito, sempre tantas coisas que precisavam ser terminadas urgentemente. O que eram mais alguns minutos, ou mais uma hora, perto de poder realmente terminar aquele trabalho. Leu mais um parágrafo do texto. Suspirou novamente, sua cabeça viajou até sua casa, onde já sabia o que esperava: uma cara feia, silêncio. Não precisava. A ausência de palavras gritava. A culpa invadiu o peito. Estava deixando sua família de lado. Por causa do trabalho.
Sentiu algo ácido subindo em seu peito, apertando seu coração. Seus olhos encheram de água. Era mentira. Não era o trabalho. Isso era apenas uma desculpa muito boa. E, em algum momento, seria necessário encarar o que estava corroendo por dentro. Tudo em sua vida estava no lugar errado. Estava evitando pensar, se distraindo com trabalho, diversão rasa ou qualquer coisa que minimamente não deixasse sua mente processar o que estava acontecendo. Mas agora, neste minuto, sem mais ninguém a sua volta, enquanto lia pela terceira vez o mesmo parágrafo, sua mente falou a palavra proibida. Divórcio.
Primeirou riu. Porque passou ANOS treinando sua mente para desviar do assunto, e agora, sem mais nem menos, sem aviso, sem controle, a ideia se formou em sua mente. Descontroladamente chorou. Porque sabia que era verdade. Seu casamento havia acabado. Chorou porque não era por falta de amor de nenhum dos lados, não houve traição em nenhum sentido e, ainda assim, havia acabado. Chorou ainda mais porque teve medo de quanto tempo levaria para fazer o que precisava. Por medo de fazer o que precisava. Amava tanto, como poderia fazer isso? Quanta dor ia causar? Mas uma vozinha em sua cabeça perguntou: "Quanta dor já causou?". Sabia que essa era a resposta. Sabia que o fim era o único caminho. Sentiu seu peito rasgar com a injustiça que é um casamento acabar assim, sem nenhum motivo."
A verdade é que essa história poderia ser de qualquer um dos três personagens dessa história. Todas aconteceram em setembro de 2018. E vou te contar a história de como estes três divóricios se entrelaçaram e desentrenlaçaram.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

(Des)encontro

A vida te deu de presente para mim. Nosso encontro foi tão aleatório, tão perfeito, tão tranquilo e honesto, que só sendo feito sob medida.
A vida nos presenteia com algo assim uma ou duas vezes. Talvez você tenha sido o maior presente da minha vida.
Não é triste como nos perdemos um do outro e de nós mesmos? O que houve conosco? Como nossa relação leve e especial se tornou difícil e sem significado? Porque desistimos?
Será que a vida irá nos presentear novamente com um encontro assim?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

7x1 da vida

Em dias como hoje, eu morro de saudades da minha mãe. Minha mãe que só incentivava, que faria tudo de boa vontade, respeitando o meu tempo, sem cobrar nada.
Minha mãe que estaria morta de orgulho de mim. Porque eu mudei minha vida. Do jeito que eu quis, quando quis. Ela estaria transbordando felicidade.

segunda-feira, 17 de março de 2014

São tantas emoções bixo (ou sobre músicas que mudam os sentimentos)

Dias e dias com duas músicas na cabeça. A primeira é Sinceramente do Cachorro Grande. Eu amo essa música e acho a parte Honestamente, eu só quero te dizer que eu acertei o pulo quando te encontrei, eu acertei..." uma das mais bonitas declarações de amor que já ouvi (essa e "é por você que fecho os olhos" do Jota Quest em O que eu também não entendo).
Mas o pedaço que ficou intensamente no coração: 

"Gostei do seu charme e do seu groove
Gostei do jeito como rola com você
Gostei do seu papo e do seu perfume
Gostei do jeito como eu falo com você"
Quase sem querer é do Legião, e Legião quase sempre me faz perceber coisas da minha vida de formas diferente com as velhas canções (velhas porque sempre ouço). E ainda, assim como as boas leituras, vejo coisas novas e novas nuances no velho conhecido. A música me veio a cabeça pelo começo, mas me arrepiou pelo final (e me fez lembrar de tudo o que importa e trouxe sinceramente a tona). Viva as músicas que nos trazem a vida.

Segue:

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranquilo
E tão contente

Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Melhor é esperar pela festa

Pitada de mestrado (editado):

Segundo Sponville a esperança       “é um desejo que se refere ao que não temos (uma falta), que ignoramos se foi ou será satisfeito (...).” Assim que conseguimos o que queríamos este objeto não nos faz mais falta (queria-o porque não o tinha, agora que o tenho em mãos ele não me faz falta). Sem falta não há desejo. 
Seria a solução não planejar o futuro? Viver apenas o hoje? Não creio nisso. Creio que é importante entender a necessidade de planejamento, mas não acreditar que sua felicidade só existe a partir do momento futuro. Não é possível ser feliz no futuro, só hoje.
A Gestalt-Terapia diz que a experiência só pode ser vivida no aqui-agora. O passado, as lembranças, só podem ser lembradas e trabalhadas no presente. O futuro só pode ser imaginado no presente. Assim toda a abordagem terapêutica voltasse para o momento presente, porque é neste momento que o paciente tem todas as informações que precisa para compreender a vida, ou nos termos de Sponville: ser feliz.
Para ser feliz é preciso abrir mão de esperar, de desejar, de viver em prol do que não temos e viver o que temos. Carpe diem. Se esperarmos o dia em que conquistarmos aquela promoção na empresa para sermos felizes, então naquele dia criaremos novos desejos e a felicidade não chegará. A sabedoria está em ter prazer, alegria em viver. 
Em termos sponvilliano, e creio que o autor acerta novamente, prazer é quando se deseja o que se têm. E para tal é preciso não viver da espera. É preciso desesperar.
Como fazemos isso? Tenho ouvido muito isso nos últimos tempos: aproveita seu ano de noiva. Planejar é a melhor parte. E acredito nisso. Não adianta NADA viver em função de um único dia que acontecerá em um ano. Olha: você planeja uma viagem. Ela foi maravilhosa! Mas com certeza não como você esperava! Algo sai do script. Porque é assim que funciona a vida. Então é preciso aproveitar o caminho, o caminho é o que você tem. Tenha prazer em escolher entre o dj e a banda e viva cada segundo.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Receita de Felicidade

Ingredientes:

1- Bolo formigueiro (mas é importante que durante a receita você espalhe o côco no chão)
2- Chico Buarque cantando Apesar de Você

Pronto!

Mas você tem que seguir EXATAMENTE estes passos. [só que não] Se você segui-los, você terá... a minha felicidade =)

Ser feliz é uma decisão. Então tome a sua. Hoje acordei pouco inspirada, então fui fazer umas coisas chatas. (obviamente ficou MUITO CHATO). Então parei. 
Ai lembrei do meu bolo formigueiro, queria fazer há uns 3 meses, mas sempre tinha uma coisa... Levantei e vim. Coloquei umas músicas e fui fazendo aproveitando o momento.
Lá pelas tantas fui abrir o pacote de côco e ele explodiu pela cozinha.
Bom o resultado é quando tocou "Apesar de você" do Chico, eu estava sambando, batendo na minha forma (que eu deveria untar) em cima do côco (nem quero pensar na limpeza depois). Parece que o sol nasceu.

Não se acorda feliz, mas pode-se decidir ser feliz com o que se tem.
(Isso sim é receita)

ps. Ainda estou caçando a cobertura que minha vó fazia para esse bolo. Vou ter que me conformar em chutar alguma coisa aqui... Eu lembro que era ovo, margarina, nescau... E ficava crocante. Não ia no fogo.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Viva e deixe viver

Querido Mestre Perls disse:

Eu sou eu;
Você é você.
Eu  faço as minhas coisas;
Você faz as suas;
Não vim ao mundo para corresponder as suas expectativas;
E você não veio para corresponder as minhas;
Se por acaso nos encontramos é lindo.
Se não, não há o que fazer.


Em nosso (meu) imenso empoderamento, prepotência e etc; acreditamos que podemos muito. Que podemos influenciar e fazer algo. Mas sobre o fluxo da vida dos outros não podemos nada (só o outro pode nos dar esse poder).

E infelizmente, várias vezes, alguns escolherão caminhos que os machucam e os afastam daqueles que mais os amam. Está fora de nossas mãos fazer algo.

Não há nada a ser feito, a não ser aceitar o fato que cada um vive a vida a seu modo; e, ou o encontro é possível, ou não. Será triste e lindo. Cada qual ao seu modo.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Listas e sucessos

Ultimamente voltei a entrar constantemente no Facebook.

Uma das coisas que mais tenho lido é listas de como ter sucesso na vida. Algumas muito boas, e algumas muito... Enfim. 
Mas se eu seguisse todas elas, bem eu só faria isso (espero que o resultado fosse eu me tornar zilhonaria porque daria realmente MUITO trabalho).

Algumas das pérolas que encontrei:

"Aprenda a programar"

Ora, eu não sou boa nisso. Entendo bastante de computadores, mas não sei nada de programação. Não quero me dedicar a isso. Então serei fracassada =B

"Faça exercícios pela manhã"

Putz fiz as 15 hrs. Lá se foi...

"Pareça inteligente."

Porque nessa vida não basta ser. Só que não. 

Não quero me expressar mal. Eu gosto da dica dos exercícios pela manhã!Depois de lê-la eu acordei hoje mais cedo para tentar (na verdade perdi o sono, mas levantei para me exercitar)! Só que acredito também que se você preferir fazer exercícios as 9 da noite você é quem sabe!
Assim como acredito que aparências (infelizmente) contam. Você deve leve isso em conta.

O que eu não acredito é em regras.

Bom, na verdade eu acredito nessa: Seja você. Só escutando o que VOCÊ quer, com o quer parecer, e que horas quer se exercitar, é que vai alcançar o sucesso.
Quando se faz com prazer, se faz mais rápido e se gasta menos energia (porque não se desperdiça energia em obrigar seu corpo em ir contra si mesmo).
E não, não passe a programar para ter sucesso. Tem gente que faz isso bem e porque gosta.
Cada um no seu quadrado.

sábado, 26 de maio de 2012

"(...)
Contudo, no final foram as tardes de domingo que se tornaram insuportáveis: aquela terrível sensação de não ter absolutamente nada para fazer que se instala em torno das 14h55, quando você sabe que já tomou um número mais que razoável de banhos naquele dia, quando sabe que, por mais que tente se concentrar nos artigos dos jornais, você nunca conseguirá lê-los nem colocar em prática a nova e revolucionária técnica de jardinagem que eles descrevem, e quando sabe que, enquanto olha para o relógio, os ponteiros se movem impiedosamente em direção às 16 horas e logo você entrará no longo e sombrio entardecer da alma.


A partir daí as coisas começaram a perder o sentido. Os sorrisos alegres que costumava distribuir durante os funerais dos outros começaram a sumir. Aos poucos, começou a desprezar o Universo em geral e cada um dos seus habitantes em particular."

Volume três da série "O mochileiro das Galáxias" (ou "Fronteiras do Universo") - A Vida, O Universo e Tudo o Mais.
Douglas Adams. 

Amo esse livro, separei esse trecho a mais ou menos 4 meses atrás. Aliás, eu separei ele no dia 27 de janeiro. E, neste dia, as coisas mudaram profundamente. Talvez por isse esse texto tenha ficado perdido em rascunhos. Mas gosto dele. Então pelo dia do Orgulho Nerd (atrasadoo!!), aí está.

sábado, 21 de abril de 2012

"Um filhote de cisne é chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente de seus irmãos, o pobre é perseguido, ofendido e maltratado por todos os patos e galinhas do terreiro. Um dia, cansado de tanta humilhação, ele foge do ninho. Durante sua jornada, ele para em vários lugares, mas é mal recebido em todas. O pobrezinho ainda tem de aguentar o frio do inverno. Mas, quando finalmente chega a primavera, ele abre suas asas e se une a um majestoso bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos."
Ele tem razão, como sempre, ao dizer que eu fiz sua jornada. Esse conto de fada, que nunca dei bola, bobo e chato, é provavelmente o que mais tem relação comigo. Tem muitas coisas bacanas de se analisar neste conto (como a falta de consciência do cisne sobre quem ele era), mas contos de fadas existem para não terem moral, apenas reverberarem dentro de nós. ;)



 Fonte do conto: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Patinho_Feio

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma das coisas mais divertida da vida é que ela é nossa melhor professora.
Eu me achava muito moderninha e super conhecedora de relações porque tive meus relacionamentos exatamente como quis. Incluindo amizade colorida. Na verdade me achava o máximo por conseguir seguir um monte de regras que a maioria das pessoas que conheci não conseguia. Também me sentia muito bem por equilibrar na corda bamba do início de uma relação, as emoções que as borboletas no estômago causam e o medo de assustar o outro.
Como disse, a vida ensina. Muito. Percebi que tudo isso de que me causava covinhas de orgulho eram também regras bem chatas de seguir. "Não devo falar isso agora." Muito pensado, pouco vivido.
De repente a vida me deu este presente que é viver, e só viver, algo bom. Sem pensar em "não posso dizer isso", "não quero que ele pense que estamos namorando", "não quero que a outra pessoa faça planos..." e sem forçar a barra. Só seguindo o fluxo, fazendo exatamente o que o corpo pede. É uma boa lição da vida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sobre o tempo - parte 2

Ela estava no carro com seu irmão. Riu de leve de tudo aquilo, da dor partilhada por ambos. Olhou para trás um pouco. Tinha medo de um monte de coisas. Tinha saudades.

-O tempo é uma coisa engraçada. Faz o seu trabalho sem que percebamos. Um dia vamos olhar para trás e as feridas vão ter se fechado. Um dia vamos olhar para trás eles não vão estar lá.
-E isso dói. Isso talvez seja o que mais dói.
-Sim...

Ele estacionou o carro. Aquela conversa a fez lembrar das coisas que já havia superado, ou que assim pensava. Desejava respirar ares novos. Já havia cansado do luto e já havia passado e retornado a todas as suas fases: raiva, tristeza, aceitação... Bufou.

Se pegou olhando em volta, absorvendo o ambiente, mas tinha uma coisa nova. Uma emoção nova para a qual talvez não estivesse pronta. Na verdade era parte de seus medos: encarar um mundo novo de relacionamentos, especialmente os sem envolvimento. Tudo muito duro, tudo o que envolvia minimamente seu coração parecia martelar e ressoar nas feridas.

Respirou fundo para absorver a dor e decidir se valia a paga. E foi ai que percebeu que não havia custo. Bom, não este custo. As feridas não estavam abrindo. Ela vinha dizendo a si mesma que estava pronta e estava de verdade. E isso era incrível! Agora era em frente.

"O tempo é uma coisa engraçada. Faz o seu trabalho sem que percebamos. Um dia vamos olhar para trás e as feridas vão ter se fechado."

domingo, 15 de janeiro de 2012

O tempo é uma coisa engraçada. Ele cura todas as feridas bem devagar. Um dia olhamos e aquela ferida pulsante é uma cicatriz, dessas que olhamos e dizemos para os amigos: "Hei! Você precisa ouvir como fiz essa!"

Ainda não sei o quanto isso é bom ou ruim. É muito bom fechar as feridas e poder olhar para trás sem se partir ao meio, com certeza, mas quantas histórias ficaram para trás?
Eu tenho medo de as coisas que o tempo muda, encerra e nos faz seguir. O ritmo da vida é tão atordoante.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ah uns dois meses eu tinha tantas certezas.
Eu tinha certeza que ia passar o natal no RS com meu afilhado LINDO, minha tchuquinha e meu namorado perfeito. Estava preocupada com o que iria fazer no semestre seguinte, mas nada que me estressasse, eu tinha certeza que ia trabalhar em algum RH recrutando pessoas por uma bolsa de 500 reais.
Eu também tinha certeza que semestre que vem eu ia estudar técnicas psicodramáticas, assim como tinha certeza que ia casar com C. E mais do que todas essas coisas, eu sabia que meu trabalho em meu último estágio (que fiz este semestre) ia acabar dia 15 de dezembro, dia da última reunião!

Muitas e muitas certezas absolutas, de alguém que tem dificuldade de soltar a mão de seu script.
Bem, eu sai do meu estágio, entrei direto em outro. Este novo não é focado em Recrutamento. Eu não vou ter férias em dezembro e por isso não vou passar o natal no RS. Meu namorou acabou.

A minha vida está totalmente diferente do que eu escrevi no meu roteiro e, ao mesmo tempo, está onde eu quero. A vida tem um ritmo e sempre é surpreendente. Nada é como o esperado, e é por isso que acredito no que disse C. F. Abreu: "Não importa o quanto vai durar, o infinito é agora".

sábado, 26 de novembro de 2011

Quantas vezes acreditamos em um rumo certo em nossas vidas e aí nos surpreendemos com as viradas magníficas que o mundo dá?

Eu tive plena certeza que casaria com meu namorado de 15 anos, que seria veterinária, que minha mãe jamais me decepcionaria, que não faria estágio nessas férias, que dessa vez era diferente (multiplique essa por mil), que agora eu estava em paz, e que agora era para sempre.

Bem, eu não consigo ver esses ciclos todos como ruins. Estou calejada e alguns deles me doeram bastante, mas todos me trouxeram coisas muito boas. Hoje estou feliz em curtir a virada como quando eu vou nos piores brinquedos dos parques de diversão: um misto de medo, diversão e enjoo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Você foi amado incondicionalmente pelo que realmente era? Ou o foi pelos seus feitos, sua graça, sua beleza, adequação, obediência ou, ainda, por seu precoce treino ao banheiro, por ser muito 'boazinha'(bonzinho'), 'não dar trabalho', ter aprendido muito cedo os seus 'deveres'. por ter cuidado dos irmãozinhos? Em suma, você era o 'orgulho' da família?"

(Walter Ribeiro, em "O Drama da Criança Bem Dotada" De Alice Miller., p.7)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sempre será uma questão de disponibilidade nas relações.

Não são as diferenças, mas o que você faz com elas: briga ou as usa para complementar.
Não é a diferença de tempos, de momento de vida, mas a disponibilidade de aceitar e esperar.
Não é a distância, mas o quanto se pode aguardar, ser feliz estando distante.

Sempre será sobre a disponibilidade que se tem para lidar com as situações que estão ai.