quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje vi um vídeo de uma criança vendo um trem pela primeira vez. A emoção, a surpresa e o encantamento são tão bonitos. E ao mesmo tempo a criança não dúvida de nada. Tudo é novo, mas nada é impossível.

Em mundo de Sofia o autor diz que devemos viver como a criança que não diria "Isto é impossível" ao ver seus pais saírem voando. Concordo. Mas mais importante é que devemos viver como a criança que vê o trem pela primeira vez, dá pulinhos e entende o quanto tudo o que está a sua volta é incrivelmente mágico.

Nos entendiamos tão facilmente, controlamos as emoções, que perdemos o essencial.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Melhor é esperar pela festa

Pitada de mestrado (editado):

Segundo Sponville a esperança       “é um desejo que se refere ao que não temos (uma falta), que ignoramos se foi ou será satisfeito (...).” Assim que conseguimos o que queríamos este objeto não nos faz mais falta (queria-o porque não o tinha, agora que o tenho em mãos ele não me faz falta). Sem falta não há desejo. 
Seria a solução não planejar o futuro? Viver apenas o hoje? Não creio nisso. Creio que é importante entender a necessidade de planejamento, mas não acreditar que sua felicidade só existe a partir do momento futuro. Não é possível ser feliz no futuro, só hoje.
A Gestalt-Terapia diz que a experiência só pode ser vivida no aqui-agora. O passado, as lembranças, só podem ser lembradas e trabalhadas no presente. O futuro só pode ser imaginado no presente. Assim toda a abordagem terapêutica voltasse para o momento presente, porque é neste momento que o paciente tem todas as informações que precisa para compreender a vida, ou nos termos de Sponville: ser feliz.
Para ser feliz é preciso abrir mão de esperar, de desejar, de viver em prol do que não temos e viver o que temos. Carpe diem. Se esperarmos o dia em que conquistarmos aquela promoção na empresa para sermos felizes, então naquele dia criaremos novos desejos e a felicidade não chegará. A sabedoria está em ter prazer, alegria em viver. 
Em termos sponvilliano, e creio que o autor acerta novamente, prazer é quando se deseja o que se têm. E para tal é preciso não viver da espera. É preciso desesperar.
Como fazemos isso? Tenho ouvido muito isso nos últimos tempos: aproveita seu ano de noiva. Planejar é a melhor parte. E acredito nisso. Não adianta NADA viver em função de um único dia que acontecerá em um ano. Olha: você planeja uma viagem. Ela foi maravilhosa! Mas com certeza não como você esperava! Algo sai do script. Porque é assim que funciona a vida. Então é preciso aproveitar o caminho, o caminho é o que você tem. Tenha prazer em escolher entre o dj e a banda e viva cada segundo.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Hoje mesmo abri em uma página do meu blog sobre o amor (e falar eu te amo a torto e a direito; e responder eu te amo por obrigação). E imediatamente lembrei disso:

"Imagine que alguém lhe diga esta noite, daqui a pouco: "Fico contente com a idéia de que você existe." Ou então: "Há uma grande alegria em mim; e a causa da minha alegria é a idéia de que você existe." Ou ainda, mais simplesmente: "Quando penso que você existe, fico contente..." Você vai considerar isso uma declaração de amor, e evidentemente com razão. Mas terá também muita sorte. Primeiro porque é uma declaração spinozista de amor, o que não acontece todos os dias (muita gente morreu sem ter entendido isso; aproveite!). Depois, e principalmente, porque é uma declaração de amor que não lhe pede nada. E isso é simplesmente excepcional. Vocês irão objetar: "Mas, quando alguém diz 'Eu te amo', também não está pedindo nada..." Está sim. E não apenas que o outro responda "eu também". Ou antes, tudo depende
de que tipo de amor se declara. Se o amor que você declara é falta (...), quando você diz "Eu te amo", isso significa "Você me falta" e portanto "Eu te quero" ("Te quiero", como dizem os espanhóis). Então é, sim, pedir alguma coisa, é até mesmo pedir  tudo, já que é pedir alguém, já que é pedir a própria pessoa! "Eu te amo: quero que você seja minha." Ao passo que dizer "Estou contente com a idéia de que você existe" não é pedir absolutamente nada: é manifestar uma alegria, em outras palavras um amor, que, é claro, pode ser acompanhado de um desejo de união ou de posse, mas que não poderia ser reduzido a ele. Tudo depende do tipo de amor de que se dá prova, por que tipo de objeto. E aí que residem, explica Spinoza, 'toda a nossa felicidade e toda a nossa miséria' "

Sponville - A Felicidade Desperadamente