quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Eles conversaram por horas. Olharam-se por um par de minutos. O ar as vezes ficava pesado com o desejo óbvio e crescente. Como aquele momento da ópera em que a música diminui até quase sumir, só para vir a galope em seguida, assim era a necessidade que tinham de ter um ao outro.

Sustentaram no olhar por mais uns segundos e de repente a ópera estorou. Tudo era fogo. Não havia espaço suficiente, ou corpos suficientes, para conter o quanto queriam.

O toque dele, a pele, ele dentro dela, tirava seu fôlego e a fazia queimar. Sentia-se quente, viva, inteira. Seu corpo estava ardendo e arrepiando em lugares que desconhecia. Poderia nunca mais sair dali. Nunca mais deixá-lo sair dali. Estaria feliz. Mas ainda havia os olhos dele, ele sempre encontrava os seus, com fogo, amor e uma promessa de mais. Enlouquecedouramente a promessa do mais. E mais uma vez ela queimava.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Liguei a TV, fim de "Aquele Beijo". Falabella recita um poema:

"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."

Pablo Neruda.
[do carralho]

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A gente descobre o amor de muitas formas. Um dia quando você compra aquele jogo caro de presente pro namorado cai a ficha que você ama ele. Amor mesmo, a sério. Ou enquanto você está assistindo um filme bobo no cinema.
As vezes você percebe que ligou a tv para ver aquele programa (futebol!) que ele gosta. É amor.
Um dia, devagar, se espalhando aos poucos, o amor de te pega. E ai ele te olha no fundo dos teus olhos. E você (eu.) boba para cheia de uma coisa indescritível. Mas é descritível, nesse caso é bem descritível, só é bem surpreendente. Em três palavras eu descrevi.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Drama 1

Ela estava chorando quando o rapaz abriu a porta. Chorando ela se jogou no colo dele e o envolveu pela cintura com os próprios braços. Mudo ele passou as mãos pelo cabelo dela e deixou que se conforta-se. Era péssimo nisso. Todas as vezes que tentou ajudá-la, acabaram brigando feio. Não iria arriscar nem a perguntar o que era agora. Não importava, desde que ela parasse de chorar.
Nina secou as lágrimas com as costas das mãos e olhou por meio minuto antes de ter coragem de falar qualquer coisa.
-Fica comigo.
-O quê?
-Fica comigo. - Fernando olhou incrédulo para ela. -É sério. Sei o que você vai dizer, então nem começa. Esse papo de nós sermos amigos não cola. Nós fomos mais e podemos ser mais. Eu cansei de quebrar meu coração por aí. E eu sei que você está longe de ser perfeito. Você na verdade tem uma lista imensa de defeitos que eu odeio, mas eu preciso do que você me oferece.
-E o que é exatamente?
-Certeza, segurança. Nós temos algo bacana e podemos ter uma relação ótima.
-Poderíamos, mas não vamos. Porque você não é tão descrente do amor assim. Nem eu que sou descrente da vida estou pronto para abrir mão da chance de me apaixonar e viver. Não poderia ver você fazendo isso. Pelo amor de deus! Qual o seu problema? Amor não é um cálculo matemático. Nunca foi. Entrar numa relação calculada não vai te garantir não se machucar. Não sei o que aconteceu agora, mas quero que vá para casa e lembre-se da garota apaixonada que você é.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"(ela)-Não to pronta.
*Ele agarra e beija intensamente*
(ele)-Para essas coisas ninguém nunca está"

Porque é exatamente assim que me sinto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma das coisas mais divertida da vida é que ela é nossa melhor professora.
Eu me achava muito moderninha e super conhecedora de relações porque tive meus relacionamentos exatamente como quis. Incluindo amizade colorida. Na verdade me achava o máximo por conseguir seguir um monte de regras que a maioria das pessoas que conheci não conseguia. Também me sentia muito bem por equilibrar na corda bamba do início de uma relação, as emoções que as borboletas no estômago causam e o medo de assustar o outro.
Como disse, a vida ensina. Muito. Percebi que tudo isso de que me causava covinhas de orgulho eram também regras bem chatas de seguir. "Não devo falar isso agora." Muito pensado, pouco vivido.
De repente a vida me deu este presente que é viver, e só viver, algo bom. Sem pensar em "não posso dizer isso", "não quero que ele pense que estamos namorando", "não quero que a outra pessoa faça planos..." e sem forçar a barra. Só seguindo o fluxo, fazendo exatamente o que o corpo pede. É uma boa lição da vida.