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domingo, 20 de março de 2011

Flertar e se completar

Uma época na minha vida eu tinha muita sede, fome, desejos.
Nessa época eu ficava muito feliz quando meu flerte com alguém dava certo, mas não parava não. Isso significava que se no mesmo dia eu me interessasse por outra pessoa poderia muito bem ir lá e ficar. No mesmo dia, na mesma festa. Mais de duas. Meu limite eu não descobri. Não tinha compromisso com ninguém além de mim e o que eu queria naquele momento.

Passei por fases muito diferentes, namoros em que não tinha olhos para o mundo, dias de diversão pura e dias de fundo do poço. Ok.
Hoje sinto que essas coisas são parte de mim, mas tudo é mais maduro. Hoje se tenho um momento com alguém, me satisfaz. Me basta. Não tenho mais interesse nos outros olhares sei lá, naquele dia (as vezes mais, depende do "momento").

Tenho fome, sede e desejos, só não sou mais insaciável. Tão mais completo. Tão mágico.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sobre camisas diferentes, preconceitos idiotas e como meu ônibus foi quase sequestrado.

Hoje eu passei por uma situação que nunca imaginei na vida. Estava em um terminal e vi uma galera de uma torcida fazendo bagunça, achei até engraçadinho apesar de eu estar em outro clima. O ônibus que estava esperando é um desses que para, desembarca o povo, embarca outros e sai. BEM RÁPIDO. Antes que eu pensasse qualquer coisa estava gritando para o motorista esperar e entrei sem ponderar se poderia esperar outro ou não.
De boa até nos chegarmos em um ponto e uma GALERA dentro do ônibus gritar insamente “NÃO PARA MOTORISTA!”. Não entendi nada na hora e só fui entender realmente ao final da história, mas para vocês, leitores vou explicar agora. Dentro do ônibus tinham basicamente só pessoas de uma das torcidas de Floripa. E fora, no ponto, estava a torcida adversária.
Acontece que o motorista, como eu, não estava ciente de nada disso e parou o ônibus. Nesse momento um cara da torcida que estava de fora entrou no ônibus supostamente armado (eu não vi, mas armado pode ser até com soco inglês) e começou a falar várias coisas bem irritado. Acho que poderia até dizer que ele estava puxando uma briga, mas não sei realmente o que aconteceu antes, preferido dizer a sensação que tive, que peguei um meio de uma briga de dois lados bem bravos. Bem os caras de dentro do ônibus pularam a catrata para parte da frente e baterem nesse sujeito até ele sair do ônibus.
Depois disso disseram para o motorista tocar até o centro sem parar (abrindo duas exceções para que alguns passageiros pudessem descer). O cobrador mudou o nome do ônibus para “Especial” e tocou direto.
Cara eu não sou dessas pessoas que acha que “nós pessoas de bem não deveríamos passar por isso por causa dessas pessoas malvadas de torcida”. Não compro esse discurso não. Ser de uma torcida não torna mesmo humano ou valoroso.
Só que assim, nada justifica restringir a liberdade do outro. A briga, até onde entendi, foi porque uma torcida foi até o lugar que “é” da outra. Pouco me importa se é injusto falar que uma torcida que um lugar é dela, ou que uma torcida tenha provocado a briga indo até o espaço da outra.
A questão é que qualquer um tem o direito de vestir a camisa que quiser, torcer para quem quiser e subir no ônibus que quiser sem ser ameaçado em sua vida ou mesmo tranquilidade. Se nem mesmo posso estar em um ônibus sem me ver envolvida em uma briga, sem sentido, burra, que obviamente não vai levar a lugar algum, então o que está garantido?
Tem-se muito medo do que se é diferente. De uma cor de pele diferente, uma escolha sexual que não é sua, um som que você não ouve, uma religião que você desconhece e uma camisa com cores diferentes da sua. Qual a diferença entre esses medos? Nenhuma. Todos usam máscaras de paixões e não entendimento. Besteira.
No meio disso, meu ônibus não seguiu seu curso. Até onde eu saiba quando alguém obriga que um veículo não siga seu curso para que isso para seu benefício, é seqüestro. Para que? Para veicular uma briga sem fim.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Melancolia

E todos me perguntam se estou bem. E antes de ouvir a resposta, já ouço que mereço mais que isso, que tudo vai ficar bem.
Então eu respondo que estou bem, que a vida é caminhar mesmo e não tenho medo de nada disso. Já sobrevivi a piores.
Tive raiva das metades, é o meio-termo, a água morna, que me mata. Que matou cada dia de dezembro, que me fez preferir um quase-fim, um silêncio, que um quase-relacionamento. Realmente pedi paz e silêncio, porque era tanto "quase" e "metade" que minha cabeça dava voltinhas.

Finalmente eu soube que precisava voltar para casa de qualquer forma e por ordem em tudo. E isso não doeu. Também não estou aos pulos.

Só sinto falta daquela paz que só o sorriso dele me deu até hoje. E aí um certo receio de ter perdido isso.

Graças aos deuses a melhor frase de todas veio da boca salvadora da Malu: "Você já sabe que pode estar em paz com alguém, só falta descobrir quem."

Quantas pessoas morrem sem estar em paz uma única vez com outra pessoa?

domingo, 29 de novembro de 2009

Hoje não consigo pensar em nada mais simples do que frescoball.
Um jogo cujo o objetivo é... jogar a bolinha um para o outro?
Não existe contagem de ponto (pelo menos não na praia), não existe grandes implicações: apenas jogue a bolinha para seu parceiro por pura diversão.

E eu que estava aqui implorando por coisas simples me peguei fazendo piadinhas sobre "qual objetivo disso?". Na verdade um choque de simplicidade, a beira do mar, me fez ver que preciso mesmo conviver mais com pessoas normais ao inves de questionar o frescoball.

As coisas são porque são.
Viva ao inquestionável.
Viva aos caldos e ao frescoball.

{Beijos Rafa - sempre mestre, sempre aluno}

sábado, 12 de julho de 2008

Meu pequeno morango

Cazuza que me perdoe...

Eu nunca quis a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.
naum mesmo.
Sempre quis aquelas paixões avassaladores, cheirando a carro novo, potente e selvagem.
Por alguma razão, desconfio que meu lado escritra acha mais interessante, meu coração sempre desejou o turbilhão, a bagunça, a força avassaladora que só se pode experimentar quando ainda se é jovem e tolo.

Sei muito bem que estou falando de paixão, porque ela queima, porque é chama, consome e apaga. Mas assim que achei que sempre seria. Primeiro paixão, fogo, e o sabor de fruta mordida viria aos poucos, BEM aos poucos.

Mas, agora, me sinto tranquila, no embalo da rede, e isso me faz bem. Acho que aprendi todas as lições sabe? Sei que posso viver sem, sei que se um de nós tiver de ir ninguém vai impedir, sei que quero ficar, não quero nada além do que me é ofertado de alma lavada.

É a paz.

Não me leve a mal caro leitor (levando em conta que alguém lera esse pequeno "desabafo"), eu sinto meu coração sendo jogado no meio de um furacão quando ele me olha daquele jeito. Apenas isso não me consome, e isso é bom.

Não consumir, viver.
Não prender, ter.
Não roubar, ganhar.

Sei lá... Eu tenho a sorte de saber qual o sabor da fruta mordida.