quarta-feira, 29 de julho de 2020

O diálogo que eu queria ter

-Vamos sair hoje?
-Tenho planos já.
-Qual?
-Nao ser feita de trouxa.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

a minha única oração

Deusa, que eu nunca me arrependa de me abrir e mostrar toda minha intensidade para alguém. Que eu sempre me lembre que tudo isso é quem eu sou: inteira, intensa, forte. Não é dose para qualquer um. 
Me de a luz de saber a minha hora de mostrar, mas que eu não sofra se para alguém isso for demais.
Que eu não fique onde eu não couber.

terça-feira, 14 de julho de 2020

o silêncio da quarentena

Até agora eu não falei sobre a pandemia. Isso porque eu tenho estado tão focada em mim que não me sinto apta para falar sobre qualquer coisa de fora.

A pandemia me obrigou a pausar. A desligar o motor. Logo no início eu fui dispensada do trabalho. Faziam anos que eu não parava mais do que alguns dias.

Então eu parei. Foi muito bom. E eu sei que não existe lado bom da pandemia, só estou falando da experiência particular de parar de trabalhar, sem obrigação de voltar em seguida, sem prazo.

Mas descansar não foi fácil. O corpo acostumado a ter uma lista de tarefas (e no meio de uma pandemia) não relaxava. Tudo me deixava ansiosa. Será que tem comida em casa? Será que eu tenho atividades para preencher o dia? Comecei a fazer yoga feito uma alucinada. Adiantei minha pós. Fui produtiva.

Eu estava cumprindo bem minhas tarefas, mas uma coisa que me incomodava era que eu não tinha vontades de quase nenhum dos meus hobbies. Isso já antes da pandemia. Não tinha vontade de ler, ou ver séries, ou qualquer coisa na verdade... Meu último refúgio era jogar com amigos, porém, sendo sincera, nós últimos meses isso já não era a mesma coisa. Estava tudo cinza.

O tempo foi me soltando. Conforme meu corpo se sentiu descansado de verdade e minha consciência corporal foi aumentado com o yoga, fui me dando conta das coisas.

Veio um período de muita dúvida e dor. Vinham ondas de tristeza, choros, perguntas, insônia. Alguns dias bem ruins.

Eu não estava deprimida. Cada onda de tristeza vinha com uma onda de calma. Um sentimento de que eu tava desafogando. 

Comecei a entender o que não dava mais. Na verdade ainda estou aprendendo. Aí comecei a dizer alguns nãos e alguma coisa mudou (em mim ou em volta?). Cada não virava uma oportunidade melhor. 

Eu poderia dizer que estou me valorizando, sendo forte... A verdade é que as ondas de tristeza me trouxeram uma incapacidade de voltar a fazer coisas no piloto automático, a fazer algo porque é conveniente, ou parace o "certo". Só não dá mais.

Agora eu não sei ao certo onde quero estar no mundo, mas tô mais forte para dizer onde não quero. Também voltei a ter vontade de fazer as minhas coisas. Comecei a estudar python. 

Não sei explicar direito: essa jornada não tem sido fácil, mas nunca me senti infeliz. Mesmo no pior período eu me sentia bem de estar passando por isso. Porque eu senti muita falta de mim mesma. Eu sabia que sentir dor era melhor do que não sentir quase nada...