Pedaços

04. Dark (Escuro)

Ela acordou. Deveria ser dia. Não deveria? Olhou para a janela e o esforço fez sua cabeça latejar. O que havia feito na noite anterior? Quantas vodkas havia bebido? Apagou novamente.
Acordou. Estava sentada na cama, suada do pesadelo, tremendo. Lembrou, não da noite anterior, mas de porque a noite havia começado. Ele, sempre ele, havia despedaçado seu coração. Queria esquecer. Sentia raiva, mágoa, dor, ódio, amor, paixão, tudo. E peso. Parecia que havia espalhado dentro dela algo que a empurrava de volta para dentro dos lençois, para onde era escuro. Onde poderia proteger-se.


43. Dying (Morrendo)

Estava ferida, machucada e magoada de tantas maneiras que não distinguia o que a machucava. Era imenso, dava-lhe raiva. Havia ido embora e agora, quando olhava para trás, sentia-se partia em dois. Havia confiado naquele homem, confiado que ele seria seu parceiro, que estaria lá com ela, por ela, quando ela estivesse cansada, enganada sobre a vida. Contava que teria ajuda para superar seus problemas mas então...
Não era sua culpa, era? Ela esteve tão sozinha! E quando ele fez disse agora seria diferente, não foi. Doeu ver que não tinha alguém para contar. Doeu ainda mais ir embora. E, se ainda era possível, estava doendo mais agora. Quando finalmente se deixou sentir e chorar pelo que estava deixando para trás: os planos, as risadas e os sonhos.

01. Introduduction (Introdução)

Não gostou dele a princípio. Olhou pelo canto de olho novamente. Parecia tão estranho, cheirando a problemas. Ele usava uma roupa diferente de todo o resto. E estava com aquela cara fechada, achou ele todo esquisito. Então porque não tirava os olhos?
Saiu, foi andar pela praça. Quando voltou a mágica tinha acontecido. Ele estava tocando com um violão e cantando. Havia um brilho no olhar e um sorriso que explodiu no meio do peito de Nina. Ela parou e o olhou entre o choque e a maravilha. Ele brincou com no último acorde e entregou o violão para o amigo. O sorriso se ergueu apenas do lado esquerdo da boca e sumiu. Foi um momento mas ela viu, o lugar onde ele estava era ermo.
Ainda não tinha se recuperado do primeiro impacto e já estava sentido uma conexão maluca com aquele cara. Parecia tão só. Porque parecia assim para ela? Ele estava fazendo piadinhas com os amigos agora, mas ela via outra coisa. Sentia uma profunda dor misturada com desejo insaciável. Ele parou de dar soquinhos no cara do lado, levantou o rosto e olhou para ela. Ficaram suspensos um no olhar do outro. Ele levantou a sombrancelha, ela prendeu a respiração. Parecia fácil e perigoso. Ela estava perdida, sabia disso e adorou.

36. Precious Treasure (Precioso Tesouro)

Sentiu que seus dedos marcavam a palma de sua mão. Contra sua vontade abriu. Lá estava o anel que fora arremessado contra a parede mais vezes do que conseguia lembrar e, ironicamente, nunca usado. Porque mesmo ganhou o anel? Lembrava que de alguma forma a culpa era sua. Não. Não culpa. Culpa era uma palavra dele... Ele estava sempre a culpando sobre colocar as coisas as claras.
Lembrou. Havia dito que deviam se levar mais a sério, caminhar para frente, ou terminar. Sorriu e ergueu uma sombrancelha, era o que fazia quando pensava em um sarcasmo. Lembrou de como ele apareceu e a pediu em noivado. Noivado! Como se isso fosse realmente resolver as coisas entre eles. Olhou para o anel. Estava arranhado. A pedra tinha uma fissura, provavelmente de quando voou pela janela. Parecia ferida. Sentiu sua garganta se fechando. O pior sobre essa história toda, não era ele não ter percebido que não resolveria nada; era que ela ignorou quem buscou o anel todas as vezes.
Talvez eles nunca conseguissem conversar (e era tarde para isso), mas talvez ele quisesse dizer algo e quem estivesse errada, surda, fosse ela.

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