domingo, 28 de março de 2021

A fragilidade de domingo meio-dia

 Eu me acostumei com a solidão. Seja pela pandemia ou pela vida, me acostumei. Curto vários momentos meus comigo. É bom não se explicar, não dividir, ser somente minha.

Confesso que tenho criado distâncias onde não precisaria, para além das imposições que a vida consciente em 2021 exige. É porque não aprendi a equilibrar. Então acabo achando mais confortável ficar quieta. Só eu.

Mas tem um momento que sempre me pega. É cozinhar almoço no fim de semana. Não sei nem explicar direito o porquê, mas nessa hora eu me sinto solitária de verdade. Começo a cozinhar e sinto que nada mais faz sentido. Me pergunto o que to fazendo da minha vida. Os medos começam a aparecer. Não vou dar conta da vida, vou ficar sozinha para sempre, sou um fracasso, não tem sentido seguir em frente...

Demorei até a entender que de fato é esse momento que é um gatilho. Agora pensando bem sobre o assunto, as conversas mais frágeis que eu tenho são nesse momento (acabei de mandar uma mensagem baixando a guarda para alguém que para mim está encerrado o assunto).  

O que tem ali, nesse momento? Nunca cozinhei só para mim, sempre para um grupo. Almoço é momento familiar. Mas essa ainda não é a explicação. Ou pelo menos não a única.

É quando começo a cozinhar que eu penso em todas as coisas que ignorei durante a semana. Tudo aquilo que não tem como mudar. Que não tem como mexer. Que eu só fingi que não doeu, porque é a vida... E tudo dói, de uma única vez. Não tem música, novela, nenhuma distração que me tire do looping de medos, dúvidas e dor.

Hoje me derrubou literalmente no chão. 

O que eu faço com isso agora? Não sei. To tentando acolher...

Ainda sobre ficar frágil: quando digo que esse é meu momento de maior fragilidade, não significa que é ruim ou bom. Só é o que é. Ser frágil é parte de ser gente.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Sem tempo para a tua omissão

Essa semana eu escutei de uma pessoa que supostamente se importa comigo: "eu nem lembrei que tava te devendo esse papo."

Eu demorei, mas aprendi uma coisa na vida: quem se importa contigo não te deixa no vácuo, ou no escuro. Ninguém é responsável pelas expectativas do outro. A vida é encontro e desencontro. Isso aí faz parte do jogo. O que não faz parte é deixar o outro míope.

Se você se omite, se você deixa o outro achar que tá tudo bem, quando não tá, você é um mentiroso. Omitir e mentir são todas ações da mesma família.

E não vale dizer que era para não magoar, ou que você não achou um bom momento... A quem serve essa omissão? Porque deve ter uma vantagem em se omitir né? Esse ganho com certeza não é para quem ficou no escuro... Que pode se sentir trouxa, burro ou idiota por ter "entendido tudo errado".

O tempo só tem me ensinado a confiar cada vez mais na minha desconfiança. Porque você pode falar que não sabe o que tá sentindo, pode falar que tem algo errado... Só não vale sorrir e acenar sem se colocar. 

A vida é curta demais para a gente não se colocar, não se posicionar, não ser se verdade.  

(E se eu já fui trouxa um dia, nem querendo rola mais... Porque eu tentei engolir as desculpas, mas assim, a seco... Não rolou)