domingo, 4 de abril de 2021

A religião e o incomodo da páscoa

Por quê a religião me incomoda?

Fui criada uma família totalmente católica, de todos os lados. Sou uma pessoa com muita fé e valores éticos fortes. Eu tenho todo o contexto para ser uma boa cristã.

Exceto por não ser cristã.

O engraçado é que algumas das pessoas que eu mais adoro são religiosas. E nossos valores estão alinhado sobre o mundo. Só não estão sobre usar a religião como a justificativa desses valores.

Não verdade não é um não concordar. É uma indignação. Eu não gosto da ideia de alguém fazer algo porque a religião determina. Não gosto de sistema de regras nem de valores externos.

Cada ser humano deveria se guiar pelo que faz sentido para si mesmo. Eu sou uma boa pessoa porque essa é a forma que eu quero estar no mundo. Não tem nenhuma regra ou ganho posterior. O que eu ganho é sentir que estou sendo coerente comigo.

Parte da minha ogeriza a ser guiada por um sistema externo, vem das incongruências de quem é parte do sistema. Como qualquer sistema de poder, tem aqueles que estão ali de aparência, apenas para tirar proveito dos demais. Isso por si já me faz desconfiar de qualquer religião.

Mais diretamente já vi de perto muita gente cristã que só acredita quando é conveniente. Ou para punir o outro... 

Mas, excluindo essa parte e pensando na religião acima dos homens que a aplicam (afinal os homens são a expressão do pecado, demasiadamente humanos), a ideia desse sistema pre determinado de regras me dá alergia.

Só a liberdade total gera seres humanos potentes e capazes de dar conta da vida. Cada um de nós precisa encarar que é dono das suas decisões e a felicidade ou infelicidade é consequência de como se leva a vida. Não existe uma jornada do herói em direção ao céu. Não existe o Bem e o Mal por si. Existe você, o mundo (que nem você e nem deus controlam) e o que você faz a partir disso. Sem cartilha. Só banque as suas escolhas.


domingo, 28 de março de 2021

A fragilidade de domingo meio-dia

 Eu me acostumei com a solidão. Seja pela pandemia ou pela vida, me acostumei. Curto vários momentos meus comigo. É bom não se explicar, não dividir, ser somente minha.

Confesso que tenho criado distâncias onde não precisaria, para além das imposições que a vida consciente em 2021 exige. É porque não aprendi a equilibrar. Então acabo achando mais confortável ficar quieta. Só eu.

Mas tem um momento que sempre me pega. É cozinhar almoço no fim de semana. Não sei nem explicar direito o porquê, mas nessa hora eu me sinto solitária de verdade. Começo a cozinhar e sinto que nada mais faz sentido. Me pergunto o que to fazendo da minha vida. Os medos começam a aparecer. Não vou dar conta da vida, vou ficar sozinha para sempre, sou um fracasso, não tem sentido seguir em frente...

Demorei até a entender que de fato é esse momento que é um gatilho. Agora pensando bem sobre o assunto, as conversas mais frágeis que eu tenho são nesse momento (acabei de mandar uma mensagem baixando a guarda para alguém que para mim está encerrado o assunto).  

O que tem ali, nesse momento? Nunca cozinhei só para mim, sempre para um grupo. Almoço é momento familiar. Mas essa ainda não é a explicação. Ou pelo menos não a única.

É quando começo a cozinhar que eu penso em todas as coisas que ignorei durante a semana. Tudo aquilo que não tem como mudar. Que não tem como mexer. Que eu só fingi que não doeu, porque é a vida... E tudo dói, de uma única vez. Não tem música, novela, nenhuma distração que me tire do looping de medos, dúvidas e dor.

Hoje me derrubou literalmente no chão. 

O que eu faço com isso agora? Não sei. To tentando acolher...

Ainda sobre ficar frágil: quando digo que esse é meu momento de maior fragilidade, não significa que é ruim ou bom. Só é o que é. Ser frágil é parte de ser gente.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Sem tempo para a tua omissão

Essa semana eu escutei de uma pessoa que supostamente se importa comigo: "eu nem lembrei que tava te devendo esse papo."

Eu demorei, mas aprendi uma coisa na vida: quem se importa contigo não te deixa no vácuo, ou no escuro. Ninguém é responsável pelas expectativas do outro. A vida é encontro e desencontro. Isso aí faz parte do jogo. O que não faz parte é deixar o outro míope.

Se você se omite, se você deixa o outro achar que tá tudo bem, quando não tá, você é um mentiroso. Omitir e mentir são todas ações da mesma família.

E não vale dizer que era para não magoar, ou que você não achou um bom momento... A quem serve essa omissão? Porque deve ter uma vantagem em se omitir né? Esse ganho com certeza não é para quem ficou no escuro... Que pode se sentir trouxa, burro ou idiota por ter "entendido tudo errado".

O tempo só tem me ensinado a confiar cada vez mais na minha desconfiança. Porque você pode falar que não sabe o que tá sentindo, pode falar que tem algo errado... Só não vale sorrir e acenar sem se colocar. 

A vida é curta demais para a gente não se colocar, não se posicionar, não ser se verdade.  

(E se eu já fui trouxa um dia, nem querendo rola mais... Porque eu tentei engolir as desculpas, mas assim, a seco... Não rolou)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Eu já fui infeliz. Hoje enquanto eu fazia exercício e fica bêbada de endorfina, eu percebi o quanto. Quantas amarras, quantas mentiras para mim mesma... Quanta dor...

Não sei se hoje é um dia feliz daqueles que eu vou lembrar daqui há anos... Mas com certeza foi um dia bom. 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Aqueles casais tóxicos que amamos

Porque gostamos de acompanhar casais que não deveriam ficar juntos?

Estou falando de casais, da ficção, que são tóxicos. Aqueles que se fazem mal, que mentem, que são péssimos um para o outro. Outro dia vi que alguém dizendo que é porque esses casais tem química. Em parte é isso, mas em parte é a ilusão de que deveríamos trocar tudo por amor. 

Acho que gostamos de acreditar que quando se ama alguém, deve-se ficar junto. A qualquer custo. Apesar de tudo. Eu AMO casais gato e rato. Se forem gato e rato complicado, cheio de atração proibida, com os personagens cheios de complicações emocionais... ai eu shippo mesmo.

Mas é uma ilusão.

Primeiro que a maior parte desses casais não é amor. É paixão. Ter alguém que te faz mal, mas que o toque te enlouquece a ponto de você esquecer tudo... É só fogo. Pode ser lindo na ficção, mas na vida real é o que prepara o terreno para a gente confundir agressão com química. Amor com pele. E achar que (apesar de tudo o que se está sofrendo agora) a resolução mágica do final feliz tá logo ali.

Spoiler: não está.

Então bora rever esses conceitos?

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Aquela novela mexicana boa

Um término é uma morte. A morte de sonhos, planos... de uma vida. É também o parte (com a sua dor) de uma vida nova. Até porque todo parto é a morte de uma vida e o início de outra.

E toda morte tem um luto. Eu sei que o luto não terminou quando olho para o que eu escrevo. Cadê os poemas? Onde está os textos sobre as viagens da vida, sobre opiniões aleatórias de coisas ainda mais aleatórias?

Meus últimos textos são sobre as feridas. As feridas antigas, as novas... Sobre as dores que ainda ficam muito evidentes em mim. E eles nem me representam bem. Porque minha vida tem sido muito boa na verdade. A questão é que só sinto vontade de escrever quando bate a dor. Só o drama me move. 


Vamos ver onde o drama leva?