segunda-feira, 17 de março de 2014

São tantas emoções bixo (ou sobre músicas que mudam os sentimentos)

Dias e dias com duas músicas na cabeça. A primeira é Sinceramente do Cachorro Grande. Eu amo essa música e acho a parte Honestamente, eu só quero te dizer que eu acertei o pulo quando te encontrei, eu acertei..." uma das mais bonitas declarações de amor que já ouvi (essa e "é por você que fecho os olhos" do Jota Quest em O que eu também não entendo).
Mas o pedaço que ficou intensamente no coração: 

"Gostei do seu charme e do seu groove
Gostei do jeito como rola com você
Gostei do seu papo e do seu perfume
Gostei do jeito como eu falo com você"
Quase sem querer é do Legião, e Legião quase sempre me faz perceber coisas da minha vida de formas diferente com as velhas canções (velhas porque sempre ouço). E ainda, assim como as boas leituras, vejo coisas novas e novas nuances no velho conhecido. A música me veio a cabeça pelo começo, mas me arrepiou pelo final (e me fez lembrar de tudo o que importa e trouxe sinceramente a tona). Viva as músicas que nos trazem a vida.

Segue:

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranquilo
E tão contente

Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje vi um vídeo de uma criança vendo um trem pela primeira vez. A emoção, a surpresa e o encantamento são tão bonitos. E ao mesmo tempo a criança não dúvida de nada. Tudo é novo, mas nada é impossível.

Em mundo de Sofia o autor diz que devemos viver como a criança que não diria "Isto é impossível" ao ver seus pais saírem voando. Concordo. Mas mais importante é que devemos viver como a criança que vê o trem pela primeira vez, dá pulinhos e entende o quanto tudo o que está a sua volta é incrivelmente mágico.

Nos entendiamos tão facilmente, controlamos as emoções, que perdemos o essencial.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Melhor é esperar pela festa

Pitada de mestrado (editado):

Segundo Sponville a esperança       “é um desejo que se refere ao que não temos (uma falta), que ignoramos se foi ou será satisfeito (...).” Assim que conseguimos o que queríamos este objeto não nos faz mais falta (queria-o porque não o tinha, agora que o tenho em mãos ele não me faz falta). Sem falta não há desejo. 
Seria a solução não planejar o futuro? Viver apenas o hoje? Não creio nisso. Creio que é importante entender a necessidade de planejamento, mas não acreditar que sua felicidade só existe a partir do momento futuro. Não é possível ser feliz no futuro, só hoje.
A Gestalt-Terapia diz que a experiência só pode ser vivida no aqui-agora. O passado, as lembranças, só podem ser lembradas e trabalhadas no presente. O futuro só pode ser imaginado no presente. Assim toda a abordagem terapêutica voltasse para o momento presente, porque é neste momento que o paciente tem todas as informações que precisa para compreender a vida, ou nos termos de Sponville: ser feliz.
Para ser feliz é preciso abrir mão de esperar, de desejar, de viver em prol do que não temos e viver o que temos. Carpe diem. Se esperarmos o dia em que conquistarmos aquela promoção na empresa para sermos felizes, então naquele dia criaremos novos desejos e a felicidade não chegará. A sabedoria está em ter prazer, alegria em viver. 
Em termos sponvilliano, e creio que o autor acerta novamente, prazer é quando se deseja o que se têm. E para tal é preciso não viver da espera. É preciso desesperar.
Como fazemos isso? Tenho ouvido muito isso nos últimos tempos: aproveita seu ano de noiva. Planejar é a melhor parte. E acredito nisso. Não adianta NADA viver em função de um único dia que acontecerá em um ano. Olha: você planeja uma viagem. Ela foi maravilhosa! Mas com certeza não como você esperava! Algo sai do script. Porque é assim que funciona a vida. Então é preciso aproveitar o caminho, o caminho é o que você tem. Tenha prazer em escolher entre o dj e a banda e viva cada segundo.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Hoje mesmo abri em uma página do meu blog sobre o amor (e falar eu te amo a torto e a direito; e responder eu te amo por obrigação). E imediatamente lembrei disso:

"Imagine que alguém lhe diga esta noite, daqui a pouco: "Fico contente com a idéia de que você existe." Ou então: "Há uma grande alegria em mim; e a causa da minha alegria é a idéia de que você existe." Ou ainda, mais simplesmente: "Quando penso que você existe, fico contente..." Você vai considerar isso uma declaração de amor, e evidentemente com razão. Mas terá também muita sorte. Primeiro porque é uma declaração spinozista de amor, o que não acontece todos os dias (muita gente morreu sem ter entendido isso; aproveite!). Depois, e principalmente, porque é uma declaração de amor que não lhe pede nada. E isso é simplesmente excepcional. Vocês irão objetar: "Mas, quando alguém diz 'Eu te amo', também não está pedindo nada..." Está sim. E não apenas que o outro responda "eu também". Ou antes, tudo depende
de que tipo de amor se declara. Se o amor que você declara é falta (...), quando você diz "Eu te amo", isso significa "Você me falta" e portanto "Eu te quero" ("Te quiero", como dizem os espanhóis). Então é, sim, pedir alguma coisa, é até mesmo pedir  tudo, já que é pedir alguém, já que é pedir a própria pessoa! "Eu te amo: quero que você seja minha." Ao passo que dizer "Estou contente com a idéia de que você existe" não é pedir absolutamente nada: é manifestar uma alegria, em outras palavras um amor, que, é claro, pode ser acompanhado de um desejo de união ou de posse, mas que não poderia ser reduzido a ele. Tudo depende do tipo de amor de que se dá prova, por que tipo de objeto. E aí que residem, explica Spinoza, 'toda a nossa felicidade e toda a nossa miséria' "

Sponville - A Felicidade Desperadamente

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

“Será uma pena se você só acreditar naquilo que puder ser comprovado por meios estatísticos.” (Leo Buscaglia)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Tchau amigo. Você fará falta

2013... Tchau.

Você irá deixar IMENSAS saudades. (E não deixe ninguém dizer o contrário).

Você foi um companheiro incrível, intenso, cheio de surpresas e incrivelmente generoso. Nunca poderia te recompensar por tudo. E agora você já vai.




2014, espero que você tenha ótimas armas se espera superar o ano que passou. É uma tarefa realmente difícil.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Pode-se ter o amor?


"Pode-se ter amor? (...)  Na realidade, existe apenas o ato de amar. Amar é uma atividade criadora.  (...)

Quando ele é vivido no modo ter, ele implica confinamento, aprisionamento ou controle do objeto que se “ama”. É sufocante, debilitante, emperrante, mortificante, estéril. O que se chama de amor é quase sempre um emprego equivocado da palavra, a fim de ocultar a realidade do desamor. (...)


Durante a corte, nenhuma pessoa está ainda certa quanto à outra, mas cada qual tenta conquistar. Ambos são vivos, atraentes, interessantes, sempre belos – tanto mais que a viveza sempre embeleza a face. Nenhum tem o outro; daí a energia de cada um dirigir-se a ser, isto é, a dar e estimular o outro. Com o casamento, a situação frequentemente muda de modo fundamental. O contrato de casamento dá a cada sócio a posse exclusiva do corpo, dos sentimentos e do cuidado. Ninguém mais tem que conquistar, porque o amor tornou-se alguma coisa que se tem, uma propriedade. (...) O que não veem é que não mais são a mesma pessoa que quando amavam um ao outro; que o erro de que se pode ter o amor levou-os a deixar de amar. Agora, em vez de amar um ao outro, ajustam-se para possuir o que possuem juntos: dinheiro, posição social, casa, filhos. (...)” (p. 60 e 61)

Erich Fromm - No livro "Ter ou Ser"

Eu poderia continuar, mas acho que já mostrei o ponto.