sábado, 28 de dezembro de 2013

Pode-se ter o amor?


"Pode-se ter amor? (...)  Na realidade, existe apenas o ato de amar. Amar é uma atividade criadora.  (...)

Quando ele é vivido no modo ter, ele implica confinamento, aprisionamento ou controle do objeto que se “ama”. É sufocante, debilitante, emperrante, mortificante, estéril. O que se chama de amor é quase sempre um emprego equivocado da palavra, a fim de ocultar a realidade do desamor. (...)


Durante a corte, nenhuma pessoa está ainda certa quanto à outra, mas cada qual tenta conquistar. Ambos são vivos, atraentes, interessantes, sempre belos – tanto mais que a viveza sempre embeleza a face. Nenhum tem o outro; daí a energia de cada um dirigir-se a ser, isto é, a dar e estimular o outro. Com o casamento, a situação frequentemente muda de modo fundamental. O contrato de casamento dá a cada sócio a posse exclusiva do corpo, dos sentimentos e do cuidado. Ninguém mais tem que conquistar, porque o amor tornou-se alguma coisa que se tem, uma propriedade. (...) O que não veem é que não mais são a mesma pessoa que quando amavam um ao outro; que o erro de que se pode ter o amor levou-os a deixar de amar. Agora, em vez de amar um ao outro, ajustam-se para possuir o que possuem juntos: dinheiro, posição social, casa, filhos. (...)” (p. 60 e 61)

Erich Fromm - No livro "Ter ou Ser"

Eu poderia continuar, mas acho que já mostrei o ponto.

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