"Pode-se ter amor? (...) Na realidade, existe apenas o ato
de amar. Amar é uma atividade criadora.
(...)
Quando ele é vivido no modo ter,
ele implica confinamento, aprisionamento ou controle do objeto que se “ama”. É
sufocante, debilitante, emperrante, mortificante, estéril. O que se chama de
amor é quase sempre um emprego equivocado da palavra, a fim de ocultar a
realidade do desamor. (...)
Durante a corte, nenhuma pessoa
está ainda certa quanto à outra, mas cada qual tenta conquistar. Ambos são
vivos, atraentes, interessantes, sempre belos – tanto mais que a viveza sempre
embeleza a face. Nenhum tem o outro;
daí a energia de cada um dirigir-se a ser,
isto é, a dar e estimular o outro. Com o casamento, a situação frequentemente
muda de modo fundamental. O contrato de casamento dá a cada sócio a posse
exclusiva do corpo, dos sentimentos e do cuidado. Ninguém mais tem que
conquistar, porque o amor tornou-se alguma coisa que se tem, uma propriedade. (...) O que não veem é que não mais são a
mesma pessoa que quando amavam um ao outro; que o erro de que se pode ter o
amor levou-os a deixar de amar. Agora, em vez de amar um ao outro, ajustam-se
para possuir o que possuem juntos: dinheiro, posição social, casa, filhos.
(...)” (p. 60 e 61)
Erich Fromm - No livro "Ter ou Ser"
Eu poderia continuar, mas acho que já mostrei o ponto.
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