Segundo Sponville a esperança “é um desejo que se refere ao que não
temos (uma falta), que ignoramos se foi ou será satisfeito (...).” Assim que
conseguimos o que queríamos este objeto não nos faz mais falta (queria-o porque
não o tinha, agora que o tenho em mãos ele não me faz falta). Sem falta não há desejo.
Seria a solução não
planejar o futuro? Viver apenas o hoje? Não creio nisso. Creio que é importante
entender a necessidade de planejamento, mas não acreditar que sua felicidade só
existe a partir do momento futuro. Não é possível ser feliz no futuro, só hoje.
A Gestalt-Terapia diz que a experiência só
pode ser vivida no aqui-agora. O passado, as lembranças, só podem ser lembradas
e trabalhadas no presente. O futuro só pode ser imaginado no presente. Assim
toda a abordagem terapêutica voltasse para o momento presente, porque é neste
momento que o paciente tem todas as informações que precisa para compreender a
vida, ou nos termos de Sponville: ser feliz.
Para ser feliz é
preciso abrir mão de esperar, de desejar, de viver em prol do que não temos e
viver o que temos. Carpe diem. Se
esperarmos o dia em que conquistarmos aquela promoção na empresa para sermos
felizes, então naquele dia criaremos novos desejos e a felicidade não chegará.
A sabedoria está em ter prazer, alegria em viver.
Em termos sponvilliano, e
creio que o autor acerta novamente, prazer é quando se deseja o que se têm. E
para tal é preciso não viver da espera. É preciso desesperar.
Como fazemos isso? Tenho ouvido muito isso nos últimos tempos: aproveita seu ano de noiva. Planejar é a melhor parte. E acredito nisso. Não adianta NADA viver em função de um único dia que acontecerá em um ano. Olha: você planeja uma viagem. Ela foi maravilhosa! Mas com certeza não como você esperava! Algo sai do script. Porque é assim que funciona a vida. Então é preciso aproveitar o caminho, o caminho é o que você tem. Tenha prazer em escolher entre o dj e a banda e viva cada segundo.
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