quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Eu já fui infeliz. Hoje enquanto eu fazia exercício e fica bêbada de endorfina, eu percebi o quanto. Quantas amarras, quantas mentiras para mim mesma... Quanta dor...

Não sei se hoje é um dia feliz daqueles que eu vou lembrar daqui há anos... Mas com certeza foi um dia bom. 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Aqueles casais tóxicos que amamos

Porque gostamos de acompanhar casais que não deveriam ficar juntos?

Estou falando de casais, da ficção, que são tóxicos. Aqueles que se fazem mal, que mentem, que são péssimos um para o outro. Outro dia vi que alguém dizendo que é porque esses casais tem química. Em parte é isso, mas em parte é a ilusão de que deveríamos trocar tudo por amor. 

Acho que gostamos de acreditar que quando se ama alguém, deve-se ficar junto. A qualquer custo. Apesar de tudo. Eu AMO casais gato e rato. Se forem gato e rato complicado, cheio de atração proibida, com os personagens cheios de complicações emocionais... ai eu shippo mesmo.

Mas é uma ilusão.

Primeiro que a maior parte desses casais não é amor. É paixão. Ter alguém que te faz mal, mas que o toque te enlouquece a ponto de você esquecer tudo... É só fogo. Pode ser lindo na ficção, mas na vida real é o que prepara o terreno para a gente confundir agressão com química. Amor com pele. E achar que (apesar de tudo o que se está sofrendo agora) a resolução mágica do final feliz tá logo ali.

Spoiler: não está.

Então bora rever esses conceitos?

a escrita

Porque eu escrevo?

Porque transborda.
Transbordam aqueles sentimentos que não podem ser ditos.
Da pessoas que não queremos nem pensar, mas o coração tá cheio.
Raiva, amor, desejo... Não importa.

Palavras nunca ditas, mas escritas para diminuir o aperto no peito.

Eu escrevo porque fantasio a vida.

Minha imaginação é forte, tô sempre planejando uma versão da vida que não rolou.
Aquela noite.
Aquela decisão.
Aquele beijo.

Eu escrevo porque os sentimos estão desorganizados.

O papel (mesmo que virtual) organiza as ideias.
Me faz falar, reler, aprofundar. Lapidar.
Tem dia que escrevo e quando termino a ficha cai.

Escrevo porque a alma de escritora tá aqui né.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Aquela novela mexicana boa

Um término é uma morte. A morte de sonhos, planos... de uma vida. É também o parte (com a sua dor) de uma vida nova. Até porque todo parto é a morte de uma vida e o início de outra.

E toda morte tem um luto. Eu sei que o luto não terminou quando olho para o que eu escrevo. Cadê os poemas? Onde está os textos sobre as viagens da vida, sobre opiniões aleatórias de coisas ainda mais aleatórias?

Meus últimos textos são sobre as feridas. As feridas antigas, as novas... Sobre as dores que ainda ficam muito evidentes em mim. E eles nem me representam bem. Porque minha vida tem sido muito boa na verdade. A questão é que só sinto vontade de escrever quando bate a dor. Só o drama me move. 


Vamos ver onde o drama leva?

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Não posso ir embora

 Sabe porque é difícil ir embora?

Porque eu sinto que não vai te doer nem um pouco. Que você sai ileso disso. Que todo o peso, os problemas, ficaram comigo. 

Não posso ir embora porque não vou sair por cima. Não vou ter o meu momento. Não ganhei o que eu queria e não vou ter nem direito a vingança. De uma relação de reticências, não devia me surpreender sair com um enorme vazio.

Me responsabilizo pelas minhas fantasias exageradas, mas também te responsabilizo por todas as vezes que tu veio atrás quando eu tinha te deixado ir. Por todas as vezes que você, irresponsavelmente me fez promessas e não cumpriu. Todas as vezes que você ficou dias sem me responder.

E se eu for embora agora, saio com todas as frustrações. Especialmente a de ter perdido as inúmeras chances de sair do meu jeito. De não ferir meu ego. De não me abrir demais.

Eu saio depois de ter me exposto em excesso. De ter mostrado o que eu queria, desejava, pensava, fantasiava... De ter dividido meus textos, meu tempo, meu fogo... De ter corrido atrás demais, porque não entendia o seu vai e vem. De ter me disposto a estar ali e até te explicar calmamente que você não precisava jogar comigo, porque eu não precisava ser manipulada. "Eu vou estar aqui por você, independente de a gente ter algo". Te repeti mil vezes "Não faz promessas".

Implicitamente eu queria te dizer "Não faz promessas, porque eu acredito. E amanhã sou eu que tenho que limpar a bagunça."

Se minha fortaleza é ter fé e acreditar nas relações honestas, meu maior ponto cego é não conseguir aceitar que a reciprocidade não veio e não virá.

Não posso ir embora porque tá doendo no ego o tamanho da bagunça para 0 relação (especialmente quando a intenção nem era uma relação). Porque não sei desdar esse nó que você fez. Me sinto enredada nas armadilhas feitas sob medida para me testar. 

Tanto drama para tão pouca água nesse copo. Talvez (parte da dor) seja porque 2020 foi foda e a necessidade de se agarrar em qualquer coisa para aliviar foi grande. Você me pegou de jeito. 

E será que é só ego? Ou será que não posso ir embora agora porque vou ter que encarar uma relação que abriu a ferida que mal havia se fechado, de não ser desejada?

Talvez eu não possa ir embora porque não é isso que eu quero. Eu quero que dê certo. E desistir é só um plano B que eu não gosto. 

Essa é a possibilidade que mais odeio... Porque não quero, nunca mais, abrir a porta para você. Mas talvez eu não queira você. Talvez eu queria só... Alguém. 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Eu sou a tua vaidade

"Você não me quer de verdade
No fundo eu sou tua vaidade
...
Mas tem que me prender (tem!)
Tem que seduzir (tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor"

Toda vez que eu ouço essa música, especialmente na versão da Urias, tenho sede de vingança.

Eu fico com raiva de você, porque eu sei que sou a tua vaidade. E eu fico com raiva de mim por ficar inventando desculpas para aceitar. Você é mesquinho, desinteressado e eu cansei até de ter raiva. Já te briguei, bloqueei, inventei desculpas para voltar a trás. Já falei sério, já levei na boa... Nada adianta. 

Você sempre se aproxima quando eu me distancio. E quando me distancio e você me dá alguma atenção, eu acho (também na minha vaidade) que fiz funcionar. "Dessa vez eu acertei".

Na última pareceu mesmo que tinha dado certo. Você disse que eu tinha razão, me tratou como uma rainha. Pareceu honesto, pareceu que ia funcionar... E aí sumiu. Nenhuma surpresa, mas muita decepção. Por quê? Sei que você tem ótimas desculpas também para dizer que é falta de tempo. Mas não é isso não. É falta de interesse. Talvez você esteja se convencendo racionalmente que eu sou uma boa opção. Ou talvez você seja egocêntrico e mau-caráter mesmo. Vai saber? 

Me sinto idiota quando fico, me sinto idiota quando bloqueio, não aprendi a simplesmente ir embora. Na corda bamba eu vou tentando. Achar que eu posso fazer algo para dar certo é não saber largar o controle. Assim como minhas tentativas de te mostrar que eu to distante (indiretas, bloqueios) são formas de controlar, nem que seja a batida na sua cara.

Qual a lição que essa dança de quase dois anos (dois anos de muitas ideias, fantasias, frustrações e quase NENHUMA prática) quer me ensinar? [Qual a gestalt ainda por fechar]

Na minha fantasia...

E essas relações que fico tentando fazer funcionar? A todo custo. A custo de mim. 


Tem um carinha que fica me empurrando para fora da vida dele. Na minha fantasia é perfeito: a gente gosta das mesmas coisas, eu amo o trabalho dele e ajudaria UM MONTE. Gosto dos amigos dele, da família dele... Ia ser companheira para o churrasco, para o netflix, para o trabalho... UFA.

Sei não, mas talvez ele esteja sendo bem saudável em me manter longo, porque eu mesma não sei se conseguiria não mergulhar na vida dele e me deixar de lado. Será que já evolui para isso? 

E toda essa fantasia maluca que eu tenho e não consigo travar? Eu não sei gerir expectativas, essa é que é a verdade.

Eu sei sim a diferença entre as relações. Mas mesmo quando eu vejo que aquela é uma relação de algumas saídas, de sexo sem compromisso, eu já gere um MONTE de expectativas. Eu quero ser desejada todos os dias. Eu quero terminar um date já pensando no próximo, porque eu sou essa pessoa.

Se a gente sair uma vez, vou estar planejando a próxima. E eu QUERO TANTO. Eu me esforço taaaanto, que quando, não rola, parece uma injustiça comigo. Quando vou domar minhas fantasias?