domingo, 3 de janeiro de 2021
a escrita
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Aquela novela mexicana boa
Um término é uma morte. A morte de sonhos, planos... de uma vida. É também o parte (com a sua dor) de uma vida nova. Até porque todo parto é a morte de uma vida e o início de outra.
E toda morte tem um luto. Eu sei que o luto não terminou quando olho para o que eu escrevo. Cadê os poemas? Onde está os textos sobre as viagens da vida, sobre opiniões aleatórias de coisas ainda mais aleatórias?
Meus últimos textos são sobre as feridas. As feridas antigas, as novas... Sobre as dores que ainda ficam muito evidentes em mim. E eles nem me representam bem. Porque minha vida tem sido muito boa na verdade. A questão é que só sinto vontade de escrever quando bate a dor. Só o drama me move.
Vamos ver onde o drama leva?
terça-feira, 22 de dezembro de 2020
Não posso ir embora
Sabe porque é difícil ir embora?
Porque eu sinto que não vai te doer nem um pouco. Que você sai ileso disso. Que todo o peso, os problemas, ficaram comigo.
Não posso ir embora porque não vou sair por cima. Não vou ter o meu momento. Não ganhei o que eu queria e não vou ter nem direito a vingança. De uma relação de reticências, não devia me surpreender sair com um enorme vazio.
Me responsabilizo pelas minhas fantasias exageradas, mas também te responsabilizo por todas as vezes que tu veio atrás quando eu tinha te deixado ir. Por todas as vezes que você, irresponsavelmente me fez promessas e não cumpriu. Todas as vezes que você ficou dias sem me responder.
E se eu for embora agora, saio com todas as frustrações. Especialmente a de ter perdido as inúmeras chances de sair do meu jeito. De não ferir meu ego. De não me abrir demais.
Eu saio depois de ter me exposto em excesso. De ter mostrado o que eu queria, desejava, pensava, fantasiava... De ter dividido meus textos, meu tempo, meu fogo... De ter corrido atrás demais, porque não entendia o seu vai e vem. De ter me disposto a estar ali e até te explicar calmamente que você não precisava jogar comigo, porque eu não precisava ser manipulada. "Eu vou estar aqui por você, independente de a gente ter algo". Te repeti mil vezes "Não faz promessas".
Implicitamente eu queria te dizer "Não faz promessas, porque eu acredito. E amanhã sou eu que tenho que limpar a bagunça."
Se minha fortaleza é ter fé e acreditar nas relações honestas, meu maior ponto cego é não conseguir aceitar que a reciprocidade não veio e não virá.
Não posso ir embora porque tá doendo no ego o tamanho da bagunça para 0 relação (especialmente quando a intenção nem era uma relação). Porque não sei desdar esse nó que você fez. Me sinto enredada nas armadilhas feitas sob medida para me testar.
Tanto drama para tão pouca água nesse copo. Talvez (parte da dor) seja porque 2020 foi foda e a necessidade de se agarrar em qualquer coisa para aliviar foi grande. Você me pegou de jeito.
E será que é só ego? Ou será que não posso ir embora agora porque vou ter que encarar uma relação que abriu a ferida que mal havia se fechado, de não ser desejada?
Talvez eu não possa ir embora porque não é isso que eu quero. Eu quero que dê certo. E desistir é só um plano B que eu não gosto.
Essa é a possibilidade que mais odeio... Porque não quero, nunca mais, abrir a porta para você. Mas talvez eu não queira você. Talvez eu queria só... Alguém.
domingo, 20 de dezembro de 2020
Eu sou a tua vaidade
"Você não me quer de verdade
No fundo eu sou tua vaidade
...
Mas tem que me prender (tem!)
Tem que seduzir (tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor"
Toda vez que eu ouço essa música, especialmente na versão da Urias, tenho sede de vingança.
Eu fico com raiva de você, porque eu sei que sou a tua vaidade. E eu fico com raiva de mim por ficar inventando desculpas para aceitar. Você é mesquinho, desinteressado e eu cansei até de ter raiva. Já te briguei, bloqueei, inventei desculpas para voltar a trás. Já falei sério, já levei na boa... Nada adianta.
Você sempre se aproxima quando eu me distancio. E quando me distancio e você me dá alguma atenção, eu acho (também na minha vaidade) que fiz funcionar. "Dessa vez eu acertei".
Na última pareceu mesmo que tinha dado certo. Você disse que eu tinha razão, me tratou como uma rainha. Pareceu honesto, pareceu que ia funcionar... E aí sumiu. Nenhuma surpresa, mas muita decepção. Por quê? Sei que você tem ótimas desculpas também para dizer que é falta de tempo. Mas não é isso não. É falta de interesse. Talvez você esteja se convencendo racionalmente que eu sou uma boa opção. Ou talvez você seja egocêntrico e mau-caráter mesmo. Vai saber?
Me sinto idiota quando fico, me sinto idiota quando bloqueio, não aprendi a simplesmente ir embora. Na corda bamba eu vou tentando. Achar que eu posso fazer algo para dar certo é não saber largar o controle. Assim como minhas tentativas de te mostrar que eu to distante (indiretas, bloqueios) são formas de controlar, nem que seja a batida na sua cara.
Qual a lição que essa dança de quase dois anos (dois anos de muitas ideias, fantasias, frustrações e quase NENHUMA prática) quer me ensinar? [Qual a gestalt ainda por fechar]
Na minha fantasia...
E essas relações que fico tentando fazer funcionar? A todo custo. A custo de mim.
Tem um carinha que fica me empurrando para fora da vida dele. Na minha fantasia é perfeito: a gente gosta das mesmas coisas, eu amo o trabalho dele e ajudaria UM MONTE. Gosto dos amigos dele, da família dele... Ia ser companheira para o churrasco, para o netflix, para o trabalho... UFA.
Sei não, mas talvez ele esteja sendo bem saudável em me manter longo, porque eu mesma não sei se conseguiria não mergulhar na vida dele e me deixar de lado. Será que já evolui para isso?
E toda essa fantasia maluca que eu tenho e não consigo travar? Eu não sei gerir expectativas, essa é que é a verdade.
Eu sei sim a diferença entre as relações. Mas mesmo quando eu vejo que aquela é uma relação de algumas saídas, de sexo sem compromisso, eu já gere um MONTE de expectativas. Eu quero ser desejada todos os dias. Eu quero terminar um date já pensando no próximo, porque eu sou essa pessoa.
Se a gente sair uma vez, vou estar planejando a próxima. E eu QUERO TANTO. Eu me esforço taaaanto, que quando, não rola, parece uma injustiça comigo. Quando vou domar minhas fantasias?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Aquelas dúvidas que a carência trás
Eu sou uma mulher decidida. Não é uma casca. É que eu sou. Eu sou decidida. Eu sou direta. Se eu quero eu digo. Não aprendi a deixar espaço para dúvidas ou erros.
Sou assim no trabalho, sou assim nas relações.
Não tenho medo de dizer se quero algo, se quero sexo, ou se quero amor.
Mas eu morro de medo de ser demais. Eu tremo toda vez que dizem que eu assusto. Quando conto um causo e me dizem "mas ele tava com medo... tu chega dizendo isso...".
O que eu faço com tudo isso que sobra? Que é demais? É porque ninguém tem coragem de dizer o que sente? Ou é porque eu sou mulher?
Bauman fala que o segredo das relações líquidas é o jogo entre ser uma relação totalmente descartável, mas, ao mesmo tempo, cheia de promessas de não ser. É comprometer o outro sem se comprometer... Mas eu não sei não me comprometer.
Eu já saio logo me comprometendo. Se a gente acorda que é no hard feelings, eu vou dar o meu melhor para estar ali de corpo e alma, sem entregar o coração. Tudo bem, tudo ótimo. E se eu quiser isso, vou te dizer. Porque não quero depois marmanjo dizendo que não foi avisado.
Agora se for uma relação, eu vou estar ali 100%.
E não é só o desejo expresso de forma direta. Eu me mostro muito. Eu falo. Eu escrevo. Eu fantasio. E eu só mostro 20% de todas as incongruências, pensamentos, desejos, que eu sou. Fico apavorada, contando as palavras. Pensando o que diabos eu tenho que fazer para não assustar?
E eu queria muito mandar tudo as favas. Melhor assustar logo né? Não quer? Corre. Mas será? Será que eu não to inviabilizando relações?
Nossa. Cansei.
domingo, 6 de dezembro de 2020
Enxente
É raro, mas as vezes eu tenho vontade de escrever. ESCREVER. Sem saber sobre o quê. (Geralmente o que me move aqui e nos meus contos, é a vontade de falar sobre algo específico. Já bem definido. Não tem página em branco.)
Hoje é diferente. Hoje eu não sei onde essa página leva. Hoje eu queria falar sobre os sentimentos que tenho aqui dentro. Talvez, o primeiro impulso, é dizer que preciso organizar. Mas não é isso. Eu to indo bem na organização. Hoje eu preciso transbordar.
Já me descreveram antes com a metáfora do lago. E a metáfora para a água de escorpião também. Você olha o lago de fora e ele parece tranquilo, mas ele é fundo e um turbilhão de coisas está ali. Ele é misterioso e poucas pessoas tem interesse/disposição/coragem para mergulhar.
E hoje o lago precisa transbordar, inundar. Não sei ainda bem como, ou para onde, ou por quê.