Eles conversaram por horas. Olharam-se por um par de minutos. O ar as vezes ficava pesado com o desejo óbvio e crescente. Como aquele momento da ópera em que a música diminui até quase sumir, só para vir a galope em seguida, assim era a necessidade que tinham de ter um ao outro.
Sustentaram no olhar por mais uns segundos e de repente a ópera estorou. Tudo era fogo. Não havia espaço suficiente, ou corpos suficientes, para conter o quanto queriam.
O toque dele, a pele, ele dentro dela, tirava seu fôlego e a fazia queimar. Sentia-se quente, viva, inteira. Seu corpo estava ardendo e arrepiando em lugares que desconhecia. Poderia nunca mais sair dali. Nunca mais deixá-lo sair dali. Estaria feliz. Mas ainda havia os olhos dele, ele sempre encontrava os seus, com fogo, amor e uma promessa de mais. Enlouquecedouramente a promessa do mais. E mais uma vez ela queimava.
Um comentário:
Perfeito.
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