segunda-feira, 22 de junho de 2020

...

Teimosia ou loucura, é fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente. Então porquê?
Eu tenho muita dificuldade de abrir mão de algo que não se concretiza, para o bem ou para o mal. Eu preciso conseguir, ou ter certeza que não há nenhuma chance ali de dar certo. Minha fantasia é forte demais para encerrar algo sem uma decisão. Aceitar que a falta de resposta do outro já é a própria resposta.

Então, de novo, estou diante desse ciclo: eu já tentei tudo o que eu podia para conseguir levar uma história adiante, as respostas sempre foram evasivas. Minha reação da primeira vez foi dar deixar BEM CLARO que EU estava fechando a porta, porque não sou mulher de metades, de portas abertas que esperam eternamente... Ou tá com os dois pés, ou não tá.

Eu tinha certeza que tudo o que vinha dali era um jogo. O cara sempre aparece para falar como está com saudades, ou como seria legal SE um dia fossemos fazer alguma coisa... Mas na vida prática, esse SE, nunca aconteceu. E eu sei que quem quer, arranja tempo, arranja espaço, convida de verdade, com data e hora.

Então cansei desse jogo e mandei tudo as favas. Certíssima.

Mas o tempo passou. E se a porta tava fechada, achei que não teria mal abrir uma janela, tentar outro tipo de convivência. Por quê? Não sei responder... Talvez, dentro de mim, a fantasia tenha criado mil desculpas para tudo. Eu comecei a enxergar uma possibilidade. Eu podia fazer melhor. Eu podia criar uma possibilidade que funcionasse. Porque tudo o que eu imagino que esta pessoa tenha para oferecer, o que eu imagino que poderíamos ser, vale a pena.

Então abri a janela, a porta... E agora estou sentada no sofá, de novo, esperando... E louca para fechar a porta e a janela, mas não sei como fazer sem drama, sem jogar na cara, sem brigas. Sem ponto final.

Tenho que aprender que, na vida, reticências também significam o fim da frase.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

fluxo e tempo

O amor é uma coisa engraçada.

Primeiro ele surge de fininho. Você sente que algo está crescendo, mas quando você olha ele te tomou todo seu coração.

E como nós humanos não sabemos direito a medida das coisas, achamos que é impossível amar mais alguém. Mas amamos cada segundo mais. O amor cresce e floresce.

Aí nós acostumamos a ele. E o amor não gosta de conformidade.

Da mesma forma sutil que ele surgiu, ele começa a morrer. No início são pequenas coisas, que não importam tanto... Mas a morte vai crescendo e embolando tudo o que foi bom com falta e vazio.

O que sobra do seu coração tomado, é oco.

É assim que sentimos. A vida, com seus nascimentos e mortes, é poderosa e nos arrasta. Sentimos que não temos o controle dos amores, nem mesmo em seu fim.

Mas vai passar. A vida é fluxo continuo de inícios e fins... Não é fácil, mas não é tão descontrolada ou cruel quanto nos parece em certos momento. É só o fluxo seguindo.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

A gente só deveria se importar com quem nos ama. Com quem nos faz bem. Aqueles não nos amam, ou nos amam pouco (o que é pior ainda) não deveriam fazer parte da equação.
Que régua maldita é esse que te mede por quem não te ama?

domingo, 17 de maio de 2020

amenidades

Amenizar

1.
transitivo direto e intransitivo e pronominal
tornar(-se) ameno, brando; suavizar(-se), abrandar(-se).
"a leitura ameniza-lhe o repouso forçado"
2.
transitivo direto e intransitivo e pronominal
tornar(-se) menos penoso, custoso ou difícil; mitigar(-se), suavizar(-se).
"remédio para a. a dor"

Eu aprendi a amenizar todos os meus sofrimentos. Todo mundo parecia sempre muito ocupado e eu nunca gostei de parecer vulnerável. Então eu diminuia, abrandava. "Não é tão sério". "Amanhã será outro dia". "Eu sei que vai passar". "Tá tudo bem".

Mas amenizar é perigoso. Porque você começa fingindo para fora, depois para dentro (se eu disser que não importa, talvez não doa tanto né?). Depois você começa a não se lembrar mais de como é expressar o quanto te doeu de verdade. Depois você não sabe mais como expressar nenhum sentimento na medida em que sentiu.

Um dia eu disse que amava alguém, mas meu coração parecia sentir bem menos. Um dia alguém me magoou profundamente e eu contei essa situação assim: "fulano falou algumas coisas ruins... fiquei chateada, mas tudo bem, bola para frente".
Só que não tava tudo bem. E eu não estava pronta para ir em frente. Meus choros viraram só um enxer de água nos olhos e depois só um nó na garganta que nem chegava no rosto... 
E tão trancado ficou tudo no peito que as alegrias ficaram cinzas também. Amenas. Distantes...

A terapia começou a organizar as coisas para mim. Destampar. Consigo até dizer o momento que isso aconteceu: contei algo triste e uma leve emoção passou por mim. A história era intensa e pesada, falando de alguns dos meus maiores sofrimentos, que vinham me atormentando. Mas a emoção não foi mais do que um pequeno engasgo e uma sombra nos olhos.

Minha terapeuta perguntou se havia emoção e pediu para eu me concentrar um pouco na emoção. Eu fechei os olhos, mas racionalizando que o meu problema era EXATAMENTE não conseguir me conectar com isso e que o experimento não ia funcionar, porque eu ia continuar distante daquela dor. E aí eu chorei. Muito.

E choro agora enquanto escrevo. Agradeço por chorar enquanto escrevo. Porque o choro vem como um alívio e a permissão para voltar a sentir as coisas da forma como elas vem para mim. Sem amenidades, sem ser Poliana.

sábado, 21 de março de 2020

Eu e eu

Hoje estava lembrando do dia do meu casamento.

Eu fiz questão de que todas as madrinhas fossem no salão comigo. Era aniversário da minha futura sogra, fiz uma surpresa para ela no salão, com bolo, parabéns, champagne...
Eu também fiz a cerimônia de casamento com as alianças da minha vó, como uma forma de conectar as histórias da família.

Eu quis tanto estar com todos perto, procurei tanto uma familiaridade com todos que estavam naquele momento... Quis conectar e aproximar. Quis me sentir unindo as nossas famílias e começando uma história linda.

Mas tem um detalhe BEM emblemático. Eu fui sozinha para o casamento. Estávamos em 5 madrinhas, minha sogra e minha prima. Todas se maquiaram ali comigo, mas precisavam voltar para casa para se vestirem.

Eu não pensei neste detalhe! Claro que não, tão preocupada que eu estava de cuidar de todo mundo... Mas fui para meu casamento como em quase tudo na vida: sozinha.

As fotos vão mostrar eu cercada de gente e depois eu chegando no casamento com meu pai me recebendo.

O que as fotos não mostram é que eu fiquei sozinha no salão, me vestindo. Tremendo de ansiedade. Entrei no carro sozinha. Sozinha eu cheguei no casamento e soube que o noivo tinha se atrasado e vi mil coisas passando na minha cabeça. Não podia entrar em pânico, porque não tinha ninguém ali.

Enquanto esperava, escondida no estacionamento, para que ninguém me visse ainda, especialmente o noivo, eu respirei fundo (estorei o fecho do vestido) e aguentei.

Foram só alguns minutos, logo tudo se acertou e o baile seguiu.

Mas, como quase toda a nossa vida, o que as fotos não mostram é essencial. Quase todas as minhas jornadas foram cercadas por fora de muita companhia, mas e de verdade? Naquele momento de encarar e ir em frente, é eu, comigo.

domingo, 8 de março de 2020

"A ideia de que somos
tão capazes de amar
mas escolhemos 
ser tóxicos"

Rupi Jair

A poesia sempre me da vontade de escrever.

Essa tocou fundo na minha alma. Com certeza no futuro eu não vou lembrar que dia foi quinta-feira. Eu não vou lembrar quem eu magoeei, os detalhes se perderam no tempo.

Mas vale a ideia de que um dia eu tratei uma pessoa como objeto, falei coisas apenas para machucar e ainda bloqueei essa pessoa.

Porque eu fiz tudo isso? Porque ele perdeu o interesse. Porque as feridas abertas ainda doem muito.

Porque podiam ser tantas coisas e simplesmente não foram.

Eu fui humana, demasiadamente humana. Fui vingativa e cruel. 

Eu nunca tinha estragado o dia de uma pessoa. A sensação é nova.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Minha criança

Minha criança
Não foram gentis com você

Você foi chamada a ser adulta muito cedo
A cuidar
A ser responsável
A ser boa

Minha criança, te chamaram tomar decisões
Depois reclamaram que você queria sentar na mesa dos adultos
Te ensinaram a cuidar quando você deveria estar brincando

Quando você não deveria nem cuidar de si mesma, já estava cuidando dos outros

Agora você precisa voltar. Agora você precisa reaprender a brincar, a ser leve, a se escutar e saber do que gosta

Você não teve esse direito.
O mundo te exigiu mais do que apenas cuidar de si mesma. Ele exigiu que você cuidasse dos outros. Dos adultos.

Cruelmente você estava em segundo plano.
Cruelmente aqueles que você buscou conforto te ensinaram o que é abuso. Te ensinaram que nesse mundo você tem que se proteger sozinha.

Minha criança, eu abro os braços para você e espero que agora eu possa cuidar de você. Te dar amor e espaço. Te deixar viver.