Hoje estava lembrando do dia do meu casamento.
Eu fiz questão de que todas as madrinhas fossem no salão comigo. Era aniversário da minha futura sogra, fiz uma surpresa para ela no salão, com bolo, parabéns, champagne...
Eu também fiz a cerimônia de casamento com as alianças da minha vó, como uma forma de conectar as histórias da família.
Eu quis tanto estar com todos perto, procurei tanto uma familiaridade com todos que estavam naquele momento... Quis conectar e aproximar. Quis me sentir unindo as nossas famílias e começando uma história linda.
Mas tem um detalhe BEM emblemático. Eu fui sozinha para o casamento. Estávamos em 5 madrinhas, minha sogra e minha prima. Todas se maquiaram ali comigo, mas precisavam voltar para casa para se vestirem.
Eu não pensei neste detalhe! Claro que não, tão preocupada que eu estava de cuidar de todo mundo... Mas fui para meu casamento como em quase tudo na vida: sozinha.
As fotos vão mostrar eu cercada de gente e depois eu chegando no casamento com meu pai me recebendo.
O que as fotos não mostram é que eu fiquei sozinha no salão, me vestindo. Tremendo de ansiedade. Entrei no carro sozinha. Sozinha eu cheguei no casamento e soube que o noivo tinha se atrasado e vi mil coisas passando na minha cabeça. Não podia entrar em pânico, porque não tinha ninguém ali.
Enquanto esperava, escondida no estacionamento, para que ninguém me visse ainda, especialmente o noivo, eu respirei fundo (estorei o fecho do vestido) e aguentei.
Foram só alguns minutos, logo tudo se acertou e o baile seguiu.
Mas, como quase toda a nossa vida, o que as fotos não mostram é essencial. Quase todas as minhas jornadas foram cercadas por fora de muita companhia, mas e de verdade? Naquele momento de encarar e ir em frente, é eu, comigo.
sábado, 21 de março de 2020
Eu e eu
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domingo, 8 de março de 2020
"A ideia de que somos
tão capazes de amar
mas escolhemos
ser tóxicos"
Rupi Jair
A poesia sempre me da vontade de escrever.
Essa tocou fundo na minha alma. Com certeza no futuro eu não vou lembrar que dia foi quinta-feira. Eu não vou lembrar quem eu magoeei, os detalhes se perderam no tempo.
Mas vale a ideia de que um dia eu tratei uma pessoa como objeto, falei coisas apenas para machucar e ainda bloqueei essa pessoa.
Porque eu fiz tudo isso? Porque ele perdeu o interesse. Porque as feridas abertas ainda doem muito.
Porque podiam ser tantas coisas e simplesmente não foram.
Eu fui humana, demasiadamente humana. Fui vingativa e cruel.
Eu nunca tinha estragado o dia de uma pessoa. A sensação é nova.
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domingo, 26 de janeiro de 2020
Minha criança
Minha criança
Não foram gentis com você
Você foi chamada a ser adulta muito cedo
A cuidar
A ser responsável
A ser boa
Minha criança, te chamaram tomar decisões
Depois reclamaram que você queria sentar na mesa dos adultos
Te ensinaram a cuidar quando você deveria estar brincando
Quando você não deveria nem cuidar de si mesma, já estava cuidando dos outros
Agora você precisa voltar. Agora você precisa reaprender a brincar, a ser leve, a se escutar e saber do que gosta
Você não teve esse direito.
O mundo te exigiu mais do que apenas cuidar de si mesma. Ele exigiu que você cuidasse dos outros. Dos adultos.
Cruelmente você estava em segundo plano.
Cruelmente aqueles que você buscou conforto te ensinaram o que é abuso. Te ensinaram que nesse mundo você tem que se proteger sozinha.
Minha criança, eu abro os braços para você e espero que agora eu possa cuidar de você. Te dar amor e espaço. Te deixar viver.
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sábado, 31 de agosto de 2019
Feminismo
Me tornei chata.
Antigamente quando fala de coisas normais da vida (fazer compra, limpar a casa) e um cara me respondia tornado isso sexual ou romântico, eu curtia. Ou achava que isso era interesse em mim.
Hoje eu acho isso sem nexo. Acho que o cara tem que conseguir conversar sobre isso normalmente. Eu acho esses comentários inapropriados e me dão a impressão que a pessoa é incapaz de ter uma conversa normal e adulta.
No começo eu me sentia irritada e desconfortavel, não sabia de onde vinham essas coisas. Pensei que era apenas por ser objetificada como algo que vive só para estar com alguém.
Mas agora eu sei que vem da imaturidade de alguém não saber o que comentar de uma situação normal.
É, eu não sou fácil. Dane-se. Não é sobre ser fácil. É sobre olhar profundamente a vida e não aceitar menos.
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terça-feira, 20 de agosto de 2019
Just no
-Não fala assim comigo.
-Por que?
(Porque pareço forte, mas vou acreditar que seu interesse é real. Vou sonhar. E quando eu entender que o sonho era só meu, vou sofrer sozinha. Vou abrir as velhas ter feridas e vai doer. Não vou morrer por isso, mas não quero passar por isso de novo, especialmente se isso for um convite para uma noite. Não sou mais garota de uma noite. Quero uma chance real para tentar. Você poderia me dar isso? Você poderia me ajudar quando der errado? Você arrumaria a bagunça que estaria depois? Pode parecer demais tanta expectativa em tão pouco, mas é como eu estou agora. Por isso te peço, não faça isso.)
-só não.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Sex and the city/Jane a Virgem (essa sou eu)
Vou dar uma de Carrie sobre a noite da última terça-feira. E de Jane.
Vamos explicar porque da Jane: na 4a temporada da série a escritora volta a se relacionar com seu primeiro namorado e sente que quando está com ele é a "Fun Jane", muito diferente da Jane atual, que é mãe, mais velha e com diversas outras questões/preocupações na cabeça.
Na noite de terça eu passei exatamente por isso. Eu tive meu próprio Barney (sim, este post está virando uma salada de referências) que fez minha noite ser legendária. Eu trouxe a "Karina de 20 anos" de volta a ativa e fiz coisas que há mais de 7 anos não fazia. Como beber tequila do jeito mais provocante possível. Eu achei que essa Karina era passado e foi MUITO BOM trazer ela de volta. Me fez perceber que é difícil ser a "Fun Karina" quando existe tanta bagagem há mais, mas é possível.
E se há 10 anos atrás eu fazia 80% do que eu fazia para dar um show, essa noite me fez lembrar que é isso mesmo, mas o show sempre foi para mim. Me diverti muito e quando senti que tinha feito tudo o que eu queria, peguei minhas coisas e vim para minha casa. Muito satisfeita comigo mesma.
Aqui vamos para parte da Carrie. Como é ser divorciada aos 30 anos? Como é se interessar por alguém depois disso tudo? Realmente difícil e duro.
Existe esse carinha, por quem eu me interessei desde o começo, mas por um monte de questões da vida, o universo e tudo o mais (salada de referências!) nunca expus muito. Mas assim que as coisas foram se resolvendo e o caminho estava liberado, eu disse exatamente o que eu queria. E a resposta foi evasiva. Eu, com certa experiência nas costas, nem insisti. Ponto para ter 30 anos e aprender com o que já passou. A Karina de 20 anos teria insistido muito.
A gente conversou depois de um tempo e ele me indicou que queria minha amizade. Fiquei bem satisfeita com isso, porque as coisas se resolveram e ele pareceu se importar com o distanciamento que o meu flerte causou. Passou a tensão. Fiquei bem e passei a tratar como um amigo.
Então a terça-feira aconteceu. E depois dela, depois de estar em casa comemorando com as duas Karinas pela noite ótima, ele me procurou. E, por um momento, foi ótimo. Alguns momentos. Que foram ótimos (só reforçando).
Mas no outro dia pela manhã eu revi aquela noite com meu óculos da experiência (veja bem, eu sei que é pouca experiência e que quando tiver quase 40, vou me achar ridícula por me achar sábia hoje). E a reação dele foi sobre a Karina de 20 anos. Lado bom: eu tenho achado que meus velhos truques não funcionavam mais. Isso estava sendo frustrante e desorientador. Então foi bom saber que alguns velhos truques funcionam muito bem.
Mas também foi triste. Porque a Karina de 30 anos é maravilhosa também. E ela não recebeu a devida atenção. E eu sou 90% Karina de 30 anos. Esse cara não reagiu a tudo o que eu sou, só a uma pequena janela de mim.
Então alguns truques ainda são muito bons, mas eles me dão os resultados que eu queria há 10 anos atrás. Não é bem o que eu quero agora. Então estar voltado ao mundo dos solteiros tem sido difícil para quem sabe exatamente o que quer e não está mais muito afim de "aproveitar" enquanto não acha.
Ok, talvez eu seja mais Charlotte que Carrie, muito mais Ted do que qualquer outro personagem...
Vamos explicar porque da Jane: na 4a temporada da série a escritora volta a se relacionar com seu primeiro namorado e sente que quando está com ele é a "Fun Jane", muito diferente da Jane atual, que é mãe, mais velha e com diversas outras questões/preocupações na cabeça.
Na noite de terça eu passei exatamente por isso. Eu tive meu próprio Barney (sim, este post está virando uma salada de referências) que fez minha noite ser legendária. Eu trouxe a "Karina de 20 anos" de volta a ativa e fiz coisas que há mais de 7 anos não fazia. Como beber tequila do jeito mais provocante possível. Eu achei que essa Karina era passado e foi MUITO BOM trazer ela de volta. Me fez perceber que é difícil ser a "Fun Karina" quando existe tanta bagagem há mais, mas é possível.
E se há 10 anos atrás eu fazia 80% do que eu fazia para dar um show, essa noite me fez lembrar que é isso mesmo, mas o show sempre foi para mim. Me diverti muito e quando senti que tinha feito tudo o que eu queria, peguei minhas coisas e vim para minha casa. Muito satisfeita comigo mesma.
Aqui vamos para parte da Carrie. Como é ser divorciada aos 30 anos? Como é se interessar por alguém depois disso tudo? Realmente difícil e duro.
Existe esse carinha, por quem eu me interessei desde o começo, mas por um monte de questões da vida, o universo e tudo o mais (salada de referências!) nunca expus muito. Mas assim que as coisas foram se resolvendo e o caminho estava liberado, eu disse exatamente o que eu queria. E a resposta foi evasiva. Eu, com certa experiência nas costas, nem insisti. Ponto para ter 30 anos e aprender com o que já passou. A Karina de 20 anos teria insistido muito.
A gente conversou depois de um tempo e ele me indicou que queria minha amizade. Fiquei bem satisfeita com isso, porque as coisas se resolveram e ele pareceu se importar com o distanciamento que o meu flerte causou. Passou a tensão. Fiquei bem e passei a tratar como um amigo.
Então a terça-feira aconteceu. E depois dela, depois de estar em casa comemorando com as duas Karinas pela noite ótima, ele me procurou. E, por um momento, foi ótimo. Alguns momentos. Que foram ótimos (só reforçando).
Mas no outro dia pela manhã eu revi aquela noite com meu óculos da experiência (veja bem, eu sei que é pouca experiência e que quando tiver quase 40, vou me achar ridícula por me achar sábia hoje). E a reação dele foi sobre a Karina de 20 anos. Lado bom: eu tenho achado que meus velhos truques não funcionavam mais. Isso estava sendo frustrante e desorientador. Então foi bom saber que alguns velhos truques funcionam muito bem.
Mas também foi triste. Porque a Karina de 30 anos é maravilhosa também. E ela não recebeu a devida atenção. E eu sou 90% Karina de 30 anos. Esse cara não reagiu a tudo o que eu sou, só a uma pequena janela de mim.
Então alguns truques ainda são muito bons, mas eles me dão os resultados que eu queria há 10 anos atrás. Não é bem o que eu quero agora. Então estar voltado ao mundo dos solteiros tem sido difícil para quem sabe exatamente o que quer e não está mais muito afim de "aproveitar" enquanto não acha.
Ok, talvez eu seja mais Charlotte que Carrie, muito mais Ted do que qualquer outro personagem...
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Tudo o que queremos em um homem
O mundo ta muito complexo e tenho escutado muito que não da de saber o que as mulheres querem em um homem.
Não é muito. Vou falar por mim, porque cada um sabe só de si.
Quero um homem que admire. Que me ache sexy de blusa velha, porque conforto também é excitante. Que enlouqueça comigo na diversão, mas segure minha mão quando a confusão for emocional. Que não tenha medo de trabalhar para a relação melhorar. Que converse e fale quando discordar, mas que a escuta seja verdadeira. Que ao invés de me podar, me ajude a florescer.
Alguém de verdade. Disposto.
Não deveria ser muito, mas no meio de um universo de relações líquidas, isso é demais.
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