quarta-feira, 17 de julho de 2019

Trintando 1

Vou trintar em breve. Vou trintar de cabelo azul, luvas do hulk, ainda com uma criança interior MUITO forte, jogando rpg, com um divórcio nas costas, vendo novela, sem saber a maior parte das respostas da vida, sem ter aprendido a fazer exercícios ou comer melhor, com desafios no trabalho que parecem que são impossíveis de desatar e que me deixam sem chão.

Mas também vou trintar tendo sucesso na minha carreira, alguns gptw na conta, tendo tranquilidade dos valores pelos quais tomo as minhas decisões, sabendo que amo o que eu faço, mas que também amo mil outras coisas e não sou obrigada a fazer RH para sempre. Vou trintar orgulhosa das minhas decisões, das minhas relações, das mulheres da minha vida. Vou trintar tendo aprendido pole dance, vivido o que eu queria viver, me dando ao direto de ter prazer, sabendo usar alecrim, açafrão e páprica, gostando de estar sozinha, com um cachorro lindo, tendo aprendido a beber vinho e chopp, indo de bike para o trabalho, ok com meu corpo "fora do padrão", cheia de amigos.

E com o cabelo azul.

Porque o cabelo azul apareceu mais de uma vez? Porque é o que ele é todas as partes de mim mesma: a parte que é diferente, ousada, um ponto azul num mar de normalidade, a cor mais quente, sem muitos motivos além de escutar o que o coração quer, mas também essa pessoa que as vezes é contraditória, que sente falta de ser loira (mas que não quero tirar o azul), que se deixou de lado em alguns momentos e está tentando recuperar a si mesma e que as vezes se sente um pontinho azul solitário e não compreendido.

E tá tudo bem também.

Trinta anos é ótimo e péssimo, como todas as outras décadas.
Algumas coisas deixam marcas profundas. A rejeição constante dói. Marca na pele e na alma. É difícil se refazer depois.
Eu me acho bonita, linda na verdade. Interessante... um mulherão.
Mas a constante rejeição me fez não sentir mais desejo, desejo puro e simples, desejo por qualquer pessoa ou desejo por mim.
E agora é tão difícil lidar com o desejo. Alguém me desejando parece irreal, como assistir um filme. Sentir desejo se mistura com um monte de coisas. Eu nem sei organizar e nomear. Ou saber o que é desculpa e o que eu realmente sinto.
Porque me sentir dessa forma agora é admitir que eu vivi um inferno. É encarar o quanto eu fui magoada, encarar de frente toda a dor que eu fingi que não estava lá.
Podia ser eu e você. Mas você não me quis.
Simples assim.

Tipo certo de homem errado - again

Eu adoro o tipo certo de homem errado. Na minha fantasia delirante eu sou para b2 uma tentação, quase irresistível.
Eu alimento muito bem minhas fantasias com pequeninos sinais que ele me dá. Sinais que poderiam significar um milhão de outras coisas. Minúsculos sinaizinhos.
Mas eu acho irresistível delirar sobre você, sobre nós. Não consigo parar de olhar através dessa janela. E no fundo eu sei qual é a realidade, mas o "e se" é tão mais gostoso.
Ao mesmo tempo será que a fantasia é inocente? Eu queria poder dizer que sim. Que é só uma coisa sobre a qual eu goste de pensar e que eu não aja, em nenhum momento, orientada por essa besteira. Mas isso seria mentira.
E, como ultima duvida de um texto que apenas jogará perguntas ao vento, será que eu gostaria dele, se ele fosse possível e disponível? Ou gostar de alguém que não esta nem aí é parte do jogo de me manter distante do mundo real?
(Eu acho que eu gostaria, porque puta merda, que ser, senhor. Podia ter economizado um pouco na beleza e sexualidade, ne?)

Amanhã

Eu quero algo real.
Estou constantemente adiando a vida.
Amanhã eu descanso, amanhã eu ponho a serie em dia, amanhã eu volto a dançar, amanhã eu termino, amanhã eu vou ler mais, amanhã eu vou realmente terminar este trabalho, amanhã eu preparo uma comida mais saudável, amanhã...
O amanhã é a essência do problema. Não sei como parar a roda, mas preciso pular dela. Preciso não sentir que estou sufocando no amanhã. E, então, partir para realidade da vida.
Porque eu queria estar vivendo algo real.

Há tempos

Eu ando querendo estar com alguém. Mas me chateio com qualquer frustração de tentar conhecer alguém. Um não esta interessado, outro não esta disponível, o outro ta mais interessado em outra pessoa outro nem te olha... Não tenho levado com leveza esses sentimentos.
Da onde vem essa carência?
Vem da tristeza e do cansaço. Parece que estou esperando a pouco tempo, mas estou esperando há anos por isso. Estou exausta de esperar e só queria pular a parte de achar alguém. Tudo parece tão complicado, desnecessariamente complicado.
No fundinho começa a bater aquela dúvida: "será que alguém vai gostar de mim e eu de volta?".
A vida é mais desencontros do que encontros?
Como resistir a tentação de entrar em uma relação vazia, só para preencher um pouco o espaço em branco?
Eu deveria resistir?

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Pequenas mentiras

"O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença ." Martha Medeiros

Não podia estar mais certo.
Mas eu não quero ser indiferente a você. Depois de tanto tempo (o deus da cura), as coisas ficam cada vez mais claras. Tenho certeza dos danos que foram sua responsabilidade. Não posso mais fingir que você nunca mentiu, ou não é responsável pelo que aconteceu.
Mesmo assim, não quero ser indiferente, assim como não quero te odiar. Quero o que eu sempre quis: quero te amar. Não mais como mulher, porque a paixão já era, mas como família. E eu quero que você mereça esse amor.
Mas aos poucos a suas faltas e mentiras ficam evidentes e eu estou cansada de remexer na ferida. Então estou avisando, como inúmeras vezes nos últimos anos, uma hora eu canso. Você achou que eu nunca iria embora... eu fui. Você quer fazer essa dança de novo? Porque eu aguento mais una rodada.
Life os such.

domingo, 9 de junho de 2019

Três divórcios

"Eram 20h00. Levantou os olhos de seu computador, só para constatar o que já sabia. Era a última pessoa ali. De novo. Suspirou e começou mentalmente a pensar em todos os motivos porque ainda estava ali. Havia muito trabalho a ser feito, sempre tantas coisas que precisavam ser terminadas urgentemente. O que eram mais alguns minutos, ou mais uma hora, perto de poder realmente terminar aquele trabalho. Leu mais um parágrafo do texto. Suspirou novamente, sua cabeça viajou até sua casa, onde já sabia o que esperava: uma cara feia, silêncio. Não precisava. A ausência de palavras gritava. A culpa invadiu o peito. Estava deixando sua família de lado. Por causa do trabalho.
Sentiu algo ácido subindo em seu peito, apertando seu coração. Seus olhos encheram de água. Era mentira. Não era o trabalho. Isso era apenas uma desculpa muito boa. E, em algum momento, seria necessário encarar o que estava corroendo por dentro. Tudo em sua vida estava no lugar errado. Estava evitando pensar, se distraindo com trabalho, diversão rasa ou qualquer coisa que minimamente não deixasse sua mente processar o que estava acontecendo. Mas agora, neste minuto, sem mais ninguém a sua volta, enquanto lia pela terceira vez o mesmo parágrafo, sua mente falou a palavra proibida. Divórcio.
Primeirou riu. Porque passou ANOS treinando sua mente para desviar do assunto, e agora, sem mais nem menos, sem aviso, sem controle, a ideia se formou em sua mente. Descontroladamente chorou. Porque sabia que era verdade. Seu casamento havia acabado. Chorou porque não era por falta de amor de nenhum dos lados, não houve traição em nenhum sentido e, ainda assim, havia acabado. Chorou ainda mais porque teve medo de quanto tempo levaria para fazer o que precisava. Por medo de fazer o que precisava. Amava tanto, como poderia fazer isso? Quanta dor ia causar? Mas uma vozinha em sua cabeça perguntou: "Quanta dor já causou?". Sabia que essa era a resposta. Sabia que o fim era o único caminho. Sentiu seu peito rasgar com a injustiça que é um casamento acabar assim, sem nenhum motivo."
A verdade é que essa história poderia ser de qualquer um dos três personagens dessa história. Todas aconteceram em setembro de 2018. E vou te contar a história de como estes três divóricios se entrelaçaram e desentrenlaçaram.