Finalmente descobri o que mudou em mim.
Você ne fez acreditar que eu não sirvo para ser "para sempre".
Finalmente descobri o que mudou em mim.
Você ne fez acreditar que eu não sirvo para ser "para sempre".
Saudades.
Da minha mãe.
De tomar banho de chuva.
De mim mesma.
De ser desejada.
De ter para quem ligar quando falta luz.
Só saudades de outros tempos.
Enquanto a luz não volta, fico aqui lembrando de um tempo em que minha mãe estaria na janela fumando, esperando a chuva passar.
Eu provavelmente estaria tomando um banho de chuva, ou pelo menos com a mão para fora de casa, para sentir os pingos.
Enquanto a luz não volta, pude sentir as feridas, novas e antigas, sem distrações. Deixando a tempestade lavar um pouco da alma junto.
Dói não ter minha mãe. Dói não ter M. Por tantos motivos diferentes, porque a vida é assim, hoje eu estou aqui encarando a tempestade, serena, mas sem me enganar sobre o que está doendo.
Foram anos fingindo que não doía. Mas dói.
Existe uma musica que toca incessantemente no meu flow. Eu sempre fico pensando porque. Eu nem gosto dela tanto assim. E depois de algumas vezes, ela passou a me incomodar. Segue:
"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado
E eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança
Por onde andei
Enquanto você me procurava?
E o que eu te dei?
Foi muito pouco ou quase nada
E o que eu deixei?
Algumas roupas penduradas
Será que eu sei
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava?"
Ela me incomoda porque ela mexe por dentro. Fiquei pensando durante muito tempo que ela é o oposto do que sinto. Então porque ela mexia tanto? Era um incômodo, uma dorzinha chata...
Talvez a percepção tenha vindo literalmente das roupas penduradas no meu varal, ou da surra que levei do meu dia. Eu não sei... mas, como a Gestalt sempre fecha, hoje eu senti: eu queria ouvir isso.
Eu queria ouvir "desculpas, sinto muito".
Vou abrir uma nova #. Sobre um carinha que é meu tipo favorito: o homem impossível.
"Teus sinais me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio
Noutro plano, te devoraria tal Caetano
A Leonardo DiCaprio"