terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Liguei a TV, fim de "Aquele Beijo". Falabella recita um poema:

"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."

Pablo Neruda.
[do carralho]

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A gente descobre o amor de muitas formas. Um dia quando você compra aquele jogo caro de presente pro namorado cai a ficha que você ama ele. Amor mesmo, a sério. Ou enquanto você está assistindo um filme bobo no cinema.
As vezes você percebe que ligou a tv para ver aquele programa (futebol!) que ele gosta. É amor.
Um dia, devagar, se espalhando aos poucos, o amor de te pega. E ai ele te olha no fundo dos teus olhos. E você (eu.) boba para cheia de uma coisa indescritível. Mas é descritível, nesse caso é bem descritível, só é bem surpreendente. Em três palavras eu descrevi.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Drama 1

Ela estava chorando quando o rapaz abriu a porta. Chorando ela se jogou no colo dele e o envolveu pela cintura com os próprios braços. Mudo ele passou as mãos pelo cabelo dela e deixou que se conforta-se. Era péssimo nisso. Todas as vezes que tentou ajudá-la, acabaram brigando feio. Não iria arriscar nem a perguntar o que era agora. Não importava, desde que ela parasse de chorar.
Nina secou as lágrimas com as costas das mãos e olhou por meio minuto antes de ter coragem de falar qualquer coisa.
-Fica comigo.
-O quê?
-Fica comigo. - Fernando olhou incrédulo para ela. -É sério. Sei o que você vai dizer, então nem começa. Esse papo de nós sermos amigos não cola. Nós fomos mais e podemos ser mais. Eu cansei de quebrar meu coração por aí. E eu sei que você está longe de ser perfeito. Você na verdade tem uma lista imensa de defeitos que eu odeio, mas eu preciso do que você me oferece.
-E o que é exatamente?
-Certeza, segurança. Nós temos algo bacana e podemos ter uma relação ótima.
-Poderíamos, mas não vamos. Porque você não é tão descrente do amor assim. Nem eu que sou descrente da vida estou pronto para abrir mão da chance de me apaixonar e viver. Não poderia ver você fazendo isso. Pelo amor de deus! Qual o seu problema? Amor não é um cálculo matemático. Nunca foi. Entrar numa relação calculada não vai te garantir não se machucar. Não sei o que aconteceu agora, mas quero que vá para casa e lembre-se da garota apaixonada que você é.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"(ela)-Não to pronta.
*Ele agarra e beija intensamente*
(ele)-Para essas coisas ninguém nunca está"

Porque é exatamente assim que me sinto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma das coisas mais divertida da vida é que ela é nossa melhor professora.
Eu me achava muito moderninha e super conhecedora de relações porque tive meus relacionamentos exatamente como quis. Incluindo amizade colorida. Na verdade me achava o máximo por conseguir seguir um monte de regras que a maioria das pessoas que conheci não conseguia. Também me sentia muito bem por equilibrar na corda bamba do início de uma relação, as emoções que as borboletas no estômago causam e o medo de assustar o outro.
Como disse, a vida ensina. Muito. Percebi que tudo isso de que me causava covinhas de orgulho eram também regras bem chatas de seguir. "Não devo falar isso agora." Muito pensado, pouco vivido.
De repente a vida me deu este presente que é viver, e só viver, algo bom. Sem pensar em "não posso dizer isso", "não quero que ele pense que estamos namorando", "não quero que a outra pessoa faça planos..." e sem forçar a barra. Só seguindo o fluxo, fazendo exatamente o que o corpo pede. É uma boa lição da vida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Algumas pessoas são pequenos buracos negros na vida da outra pessoa. Exercem tamanho poder de desestabilizar e sugar tudo o que está ali que só esta comparação é suficiente. Essas relações são extremamente nocivas e corrosivas.
Tenho plena consciência que é pela vida que levamos; pelo conjunto formado por nossos sentimentos, passado e presente; que essas pessoas tem tamanho poder. São nossos bichos papões que habitam somente os armários que permitimos. Só que é mais fácil falar do que fazer.
Enquanto digo que sou eu que dou o poder de alguém ser capaz de sacudir meu mundo, também sei que ainda sou incapaz de estar perto dessa pessoa e me defender (e é por isso que é um buraco negro e não sei lá, uma besta qualquer sobre a qual minha força tenha efeito). Se eu me aproximar, lá se vai toda a organização, as decisões e as vezes eu mesma.

Sobre o tempo - parte 2

Ela estava no carro com seu irmão. Riu de leve de tudo aquilo, da dor partilhada por ambos. Olhou para trás um pouco. Tinha medo de um monte de coisas. Tinha saudades.

-O tempo é uma coisa engraçada. Faz o seu trabalho sem que percebamos. Um dia vamos olhar para trás e as feridas vão ter se fechado. Um dia vamos olhar para trás eles não vão estar lá.
-E isso dói. Isso talvez seja o que mais dói.
-Sim...

Ele estacionou o carro. Aquela conversa a fez lembrar das coisas que já havia superado, ou que assim pensava. Desejava respirar ares novos. Já havia cansado do luto e já havia passado e retornado a todas as suas fases: raiva, tristeza, aceitação... Bufou.

Se pegou olhando em volta, absorvendo o ambiente, mas tinha uma coisa nova. Uma emoção nova para a qual talvez não estivesse pronta. Na verdade era parte de seus medos: encarar um mundo novo de relacionamentos, especialmente os sem envolvimento. Tudo muito duro, tudo o que envolvia minimamente seu coração parecia martelar e ressoar nas feridas.

Respirou fundo para absorver a dor e decidir se valia a paga. E foi ai que percebeu que não havia custo. Bom, não este custo. As feridas não estavam abrindo. Ela vinha dizendo a si mesma que estava pronta e estava de verdade. E isso era incrível! Agora era em frente.

"O tempo é uma coisa engraçada. Faz o seu trabalho sem que percebamos. Um dia vamos olhar para trás e as feridas vão ter se fechado."